Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
:: Benvidos ao BLOG Os Loucos :: Site dos 10 Pãezinhos | E-MAIL ::
[::..Sites..::]
:: 10 Pãezinhos
:: TIRAS
:: FOTOLOG
COMICON 2003
Papo com Eduardo Risso
ROLAND
Estúdio Pinheiros
YELLO JELLO
KAKOFONIA
Laerte
Níquel Náusea
Kitagawa
Vida Besta
Neil Gaiman
BONE
Strangers in Paradise
Omelete
Universo HQ
Quanta Academia de Artes
Macmania
[::..Blogs..::]
Samuel Casal
Allan Sieber
Gustavo Duarte
Blog de Desenho
ORBITAL
Neil Gaiman
Pullovers
[::..Editoras..::]
Terra Major
Via Lettera
AiT/Planet Lar
Dark Horser
DEVIR
Conrad
Nona Arte
Brainnstore
[::..arquivo..::]

:: 31.10.02 ::

BATE PAPO com FÁBIO MOON E GABRIEL BÁ no IG-PAPO Sexta feira, às 14 horas!!!!

É HOJE


:: Bá 9:12 PM [+] ::

...
Eu adoro o processo dos quadrinhos. Ainda mais quando não sou eu o artista, pois é como espectador que o maravilhamento diante à página sendo desenhada é maior. E, toda a minha vida, eu pude suprir essa vontade de ver uma história sendo produzida observando o Bá desenhar.

Hoje, talvez, nossos estilos sejam distintos – embora muita gente não saiba quem faz o que. Entretanto, durante muitos anos – praticamente toda a nossa infância – eu ficava copiando o estilo do Bá, criando personagens que fossem variações dos personagens dele. Eu e ele, somos, de certo modo, variações um do outro. É claro que, na infância, é copiando que se aprende, e eu não deixei passar a oportunidade não só de copiar o estilo do trabalho, mas também o estilo de ser. Talvez seja coisa de eu ser tímido, ser mais quieto e de ter caído sempre na classe dos nerds, enquanto o Bá caía na classe das baladas e dos descolados.

Enfim, hoje o Bá estava desenhando uma nova história. A primeira página – e primeiras páginas tem de ter impacto.

Eu me senti com doze anos de idade.
:: Fábio Moon 7:07 PM [+] ::

...
Interessantemente, saiu um pequeno comentário sobre o ROLAND em um site americano, o COMIC BOOK RESOURCES, na coluna PERMANENT DAMAGE do Steven Grant. Embora você tenha que ter a paciência de procurar o comentário, ou a pressa de passar toda uma primeira parte do artigo falando de gêneros de quadrinhos, lá está ele falando do nosso antigo e querido trabalho para o mercado americano, e falando também sobre o novo gibi do Shane, PREY.

Esse novo trabalho, aliás, é desenhado por um amigo nosso, também aqui do Brasil, o Bruno D'Angelo. Vale a pena, se não por qualquer outro motivo, pela capa. Design primoroso, tipografia forte e imagem bem realizada. Durante a convenção de quadrinhos de San Diego este ano, foi com certeza a capa mais comentada de toda a convenção. E eu não vou nem entrar nos méritos da arte interna e das histórias. Tomando como minhas as palavras do Shane, a revista "é o que é".
:: Fábio Moon 5:11 PM [+] ::

...
:: 30.10.02 ::
Uma pequena história, ou nem mesmo isso, de apenas alguns momentos:

O futuro na espuma do café

"Onde você estava quando sua vida começou? E quantas vezes ela vai começar... outra vez?", foi a pergunta que ela me fez, sentada do outro lado da pequena mesa do café, em plena madrugada.

Ela estava bêbada. Pelo que entendi, ela sempre esteve bêbada, mesmo sem nunca ter bebido nada. Quando ela olhava para você, é como se você não estivesse lá e, ao mesmo tempo, como se tudo aquilo que você é estivesse refletido dentro de seus olhos. Olhei mais atentamente, procurando determinar exatamente de que cor eram seus olhos.

"Eu acho melhor você beber o seu café", sugeri.

O meu café há muito já tinha deixado minha xícara. Percebendo isso, a moça à minha frente foi ávida em direção da xícara vazia e a tomou nas mãos. "Eu posso ver o futuro na espuma que resta do café." ela disse, séria, olhando hora para mim, hora para o interior da xícara. "Você quer saber o seu futuro?"

"Na verdade, eu tenho uma curiosidade." respondi. "Quando vê o meu futuro, você está nele?"

Ela sorriu, um pouco sem graça, e abaixou a minha xícara. Pegou então a sua e, ainda sorrindo, ficou olhando para mim enquanto bebia o seu café.
:: Fábio Moon 7:11 PM [+] ::

...
Do mesmo modo que um caderno de rascunhos ajuda a soltar o desenho, é preciso encontrar um lugar para soltar as palavras.

As palavras, assim como as imagens, não devem atrapalhar a história que você quer contar e sim ajudá-la. Se o texto ficar muito difícil, a história não anda. Se ficar fácil demais, ninguém vai reparar no desenho, vai passar voando pelas páginas.

...

Sexta-feira, no nosso bate-papo virtual no IG-PAPO, esperamos perguntas. Qualquer pergunta é válida, seguindo a lógica de que nossa histórias tem base em nossas experiências cotidianas e no mundo que nos rodeia. Perguntas estranhas terão respostas bizzaras, comentários inteligentes receberão palmas silenciosas do mundo das pessoas inteligentes e, por fim, mulheres serão sempre tratadas com preferência explícita e cordialidade exemplar. Esperamos que o público masculino presente no bate-papo entenda e concorde. Se você quer que sua pergunta seja respondida rápido, traga uma amiga e deixe ela perguntar para você.

...

Olhem para o lado esquerdo e reparem que agora há um link ali para a noitada com o Edurado Risso. Confiram clicando ali ou procurando em algum lugar no site do Omelete. Clicando no link para o universo HQ ao lado, você podem encontrar outra entrevista com o Eduardo Risso, mais "oficial" e comportada.
:: Fábio Moon 6:42 PM [+] ::

...
O branco é o que ainda está por vir. O preto é o que está misteriosamente aí e a gente não vê. O equilíbrio entre o preto e o branco cria um vai e vem necessário para o ritmo de uma boa história em quadrinhos. O futuro é brilhante; o presente é entorpecente; o passado, esse vem com cada leitor, com cada olhar, com cada leitura – pois nenhuma leitura é igual.

Tudo ao mesmo tempo agora.
:: Fábio Moon 3:30 PM [+] ::

...
:: 29.10.02 ::
Hoje, eu comecei o dia cortando páginas.

Embora eu tenha um bloco gigantesco de folhas de papel remanescente da época dos movimentos GNT – eventos de um dia, que aconteciam de três em três meses, nos quais eu, o Bá e o Dudu fazíamos caricatura e onde sempre era fornecido o papel, que em geral era de boa qualidade –, a parte de trás dos papeis tem ainda o logo do evento. Talvez por uma frescura adqüirida nos tempos da faculdade de artes, eu gosto de preservar ao máximo a integridade do trabalho, partindo de uma folha completamente branca dos dois lados onde toda interferência será de minha autoria. O problema é que o bom bloco de papel que eu tenho – e isso serve para quase qualquer bom bloco de papel – não vem nas dimensões de uma típica folha de papel para histórias em quadrinhos. Normalmente, é maior. O que eu tenho é duas vezes o tamanho da folha, aproximadamente, do qual eu tenho que cortar as folhas na metade para conseguir que fique do tamanho desejado.

Sendo assim, eu comecei meu dia cortando páginas. Cortei quatro. E me preparei para realizar mais um épico das histórias em quadrinhos em quatro páginas.

O dia inteiro se passou com uma página em branco na minha frente. E a responsabilidade de fazer quadrinhos ficou lá, sentada num banquinho, olhando pra minha cara.

Quando você sabe que, se você não fizer suas histórias, ninguém as fará, você se sente responsável por produzir e pela qualidade dessa produção. Às vezes, você esquece que, antes de mais nada, você tem de gostar do que está fazendo e tem de sentir prazer fazendo isso.

É como se fazer quadrinhos fosse como sexo e, a cada nova história, você se sentisse novamente um virgem.
:: Fábio Moon 5:51 PM [+] ::

...
:: 28.10.02 ::
BATE-PAPO conosco no IG-Papo nesta sexta feira, às 2 horas da tarde.
Esperamos muitos de vocês (anônimos) aparecendo por lá, além dos amigos de sempre. Vamos conversar um pouco de Quadrinhos, nossos atuais projetos, a profissão do Quadrinhista e o contato com os leitores (vocês).
Até lá eu relembro vocês de novo.
:: Bá 7:32 PM [+] ::

...
Mais de uma semana atrás, eu tinha decidido adaptar um conto meu em história em quadrinhos. A história eu faria para o próximo FRONT, cujo tema é a feminilidade. Nessa semana que passou, conversando com o Bá enquanto já dividia a ação da história em páginas, acabei mudando de idéia.

Cada gênero literário tem a sua particularidade, sua força. No final das contas, mesmo sem ter desenhado a história, eu sabia que ela era uma história em prosa e que, transformada em quadrinhos, perderia o que tinha de melhor: as palavras. Quando você transporta uma prosa para os quadrinhos, algumas palavras devem ser substituídas por imagens, e o que mais dava um certo aspecto feminino à história eram as palavras e como elas foram usadas. Entretanto, se eu fizesse uma história em quadrinhos usando todas as palavras que escrevi, a história ficaria muito cheia de texto – é muito importante o equilíbrio entre a imagem e o texto nos quadrinhos – e muito longa. Essa história conta um momento, e o melhor jeito de contar esse momento é com palavras. Talvez eu ainda proponha a história para o FRONT, mas somente como conto.

Um conto ilustrado, quem sabe.

Assim como instrumentos musicais soam diferente, as histórias soam diferente. O bom contador de histórias, sempre que pode, procura sempre o melhor instrumento para contar cada história.

...

dos cadernos de rascunho

Agosto de 2002
Histórias que sobrevivem aos séculos falam de sintomas da sociedade que ainda hoje se manifestam. Ou, ainda, narram uma realidade que já não existe mais e em nada se assemelha com o mundo em que vivemos, tornando o NOSSO mundo REAL.
Seria o homem de antigamente capaz de entender a complexidade do "AGORA", do "HOJE", ou somos nós que conhecemos uma simples fração do "ANTES", do "ONTEM", e dessa fração atribuimos ao seu todo uma simplória importância?
:: Fábio Moon 7:07 PM [+] ::

...
:: 27.10.02 ::
Dentro da cabeça do quadrinhista, a seguinte conversa se desenrola:

–Sabe todas essas histórias que eu vivo te falando que eu tenho?

–Sei. O que tem elas?

–Você já parou pra pensar que eu sempre falo delas, mas nunca as conto?

–É, eu tinha reparado.

–Acho que eu tenho medo.

–???

–Vários medos, na verdade. O mais comum, que é o da história não ser boa – mesmo sabendo que ela é –, esse eu sempre tenho, mas esse é bom. Me mantém sempre atento de comprometido a contar boas histórias. Mas o medo que me segura é o de achar que ainda não é a hora de contar as minhas histórias.

–Como assim?

–Eu acho que ninguém vai ler. Ninguém se interessa, ninguém vai parar pra pensar sobre a vida a partir de uma história em quadrinhos. Eu vou contar uma história que ninguém vai ler, e aí essa história estará perdida e eu não vou poder contá-la novamente outra hora.

–Eu acho que você tem medo de não conseguir contar sua história do jeito que quer e, aí então, não ter outra chance de fazer melhor e contar novamente.

–Pode ser.

–Sabe o que eu acho?

–O que?

–Que só tem um jeito de descobrir do que você tem medo: fazendo as histórias de uma vez.

–É. Você tem razão.

–Eu sempre tenho razão.
:: Fábio Moon 2:02 PM [+] ::

...
:: 25.10.02 ::
dos cadernos de rascunho

Janeiro de 2001
Em um lugar em que todos estão de passagem, você tem de aceitar as possibilidades de conhecer pessoas especiais que você nunca mais vai ver na vida.
–Não tem que durar para sempre, mas tem que ser bom enquanto for real.
:: Fábio Moon 5:35 PM [+] ::

...
Às vezes, mesmo depois que uma história acaba, ela continua. E ontem recebemos uma mensagem interessante de como continuou mesmo, ao menos por mais alguns momentos:

"Mas saibam que a balada não acabou ali. Saímos do Ó do Borogodó e fomos ao Fran's da Benedito Calixto. Mais uma horinha de conversa regada a cappuccino, Frank Miller, Alan Moore, cultura americana, Richard Corben, artistas estrangeiros no mercado americano, etc.
Forte abraço,

Ivan"


Fica aqui, então, como epílogo, a contribuição do Ivan, o fã.
:: Fábio Moon 5:05 PM [+] ::

...
:: 24.10.02 ::
AINDA NO PEDIDO AOS LEITORES:
Mais uma vez, tentamos, com nosso conhecimento limitado de html, tornar possível a visualização das imagens que fizemos para a nossa história sobre a noite com o Eduardo Risso. O link para a história está aí em baixo, no dia 21. Se, apesar dos nossos esforços, alguém não conseguir ver as imagens, um consolo: O Omelete, aquele site sobre quadrinhos e baratos afins, está publicando a mesma matéria. Lá, as imagens aparecem sem problema. Mas elas estão menores do que na nossa página.

Para tentar sua sorte na nossa história via Omelete, clique aqui!

:: Fábio Moon 3:01 PM [+] ::

...
:: 23.10.02 ::
Queremos fazer um pedido a todos o nossos leitores do blog: Quem já leu a conversa com o Eduardo Risso poderia mandar um e-mail pra nós dizendo se apareceram as figuras que colocamos na página ou se só deu pra ver o texto? Recebemos alguns comentários sobre isso e queremos saber se ninguém está conseguindo ver as imagens (desenhos feitos exclusivamente para este texto).
Bom, era isso. E quem não leu a nossa conversa com o Eduardo ainda, deixa de moleza e pode clicar no link abaixo.
:: Bá 6:02 PM [+] ::

...
:: 22.10.02 ::
Provavelmente empolgados com a história com o Eduardo Risso, atualizamos o site! Algo de novo na página de quadrinhos, na página dos trabalhos e uma foto nossa com o Eduardo na página principal. Nada muito chique, mas toda mudança conta.
:: Fábio Moon 1:12 PM [+] ::

...
:: 21.10.02 ::
Depois de uma semana, finalmente estamos prontos para compartilhar nossa incrível experiência de Domingo passado, quando levamos o Eduardo Risso pra conhecer o samba brasileiro. Leia tudo sobre nossa noite de conversas e brindes aqui.

:: Bá 3:50 PM [+] ::

...
:: 20.10.02 ::
Aqui vai, em forma escrita, retirada do site da Globo, a reportagem de quinta à noite para o Jornal da Globo.

"E, em São Paulo, um outro exemplo de criatividade e inovação. A que vai se desenhando com a ajuda da rede mundial de computadores e termina nas folhas de papel de um livro. O repórter Lúcio Sturm mostra a experiência de 120 especialistas em histórias em quadrinhos que mudaram o jeito de trabalhar e estão fazendo o maior sucesso.

Na casa dos quadrinistas Fábio e Gabriel, o trabalho chega pela Internet. O e-mail do editor sugere a feminilidade como tema a ser abordado nos quadrinhos. Mãos e criatividade entram em ação. O tema proposto começa a ganhar formas. São os primeiros traços de uma história que para chegar ao papel ainda terá que passar pelo crivo de outros 120 quadrinistas.

Então, de volta ao computador, é hora do desenho seguir um caminho virtual. Em outro ponto da cidade os editores acompanham tudo. Cabe a eles selecionar o material que será publicado. Da seleção do tema à publicação do livro tudo é discutido pelos quadrinistas na Internet. Um processo democrático e único no mercado brasileiro de quadrinhos.

Já são dois anos nesse ritmo de trabalho. A décima-primeira edição do livro tem 140 páginas com histórias de 30 autores, e tiragem de 2 mil exemplares.

O trabalho desses quadrinistas é uma das atrações de uma feira que será aberta nesta sexta-feira para o público de São Paulo. Ela reúne setenta editoras pequenas e médias.

No site, eles não transcreveram o que a gente falou na entrevista, só a narração da reportagem. Mas, pra quem não viu, já é alguma coisa.

...

A mesa-redonda de ontem foi, meio a trancos e barrancos, interessante. Interessante para ver e ouvir diferentes opiniões sobre a produção de quadrinhos e a sempre constante falta de habilidade das pessoas em se expressar. Em caso de pânico, conte uma piada. Ou desvie do assunto falando de história.
:: Fábio Moon 1:54 PM [+] ::

...
:: 18.10.02 ::
Ontem passou mesmo a reportagem no Jornal da Globo conosco e com o pessoal do FRONT. Foi curtinha, mas achei que ficou bem legal. Televisão é isso mesmo, horas de gravação e minutos de corte final. Mas o importante é:

Amanhã, no Centro Cultural São Paulo, às 11 horas da manhã, Mesa Redonda sobre "Quadrinhos: Literatura em imagens"

.
O Centro Cutltural fica na Rua Vergueiro, 1000, próximo à estação Vergueiro do Metrô.
Ainda não sei quem vai estar na mesa, de nós dois. Era pra ser o Fábio, mas o Jotapê esqueceu ou se confundiu e acabou colocando meu nome nas listas e divulgações. Logo, provavelmente terei que subir lá e descer o cacete mais uma vez. Sempre tento falar palavras que inspirem os autores a produzir e os leitores a ler, mas acabo soando duro e bravo, como se o universo dos quadrinhos fosse uma guerra e somente os mais fortes sobrevivem. Pensando bem, é isso mesmo. Veremos. É uma bancada grande e cheia de pessoas que gostam de falar demais.
Quem puder, vá! Durante a Primavera dos Livros, esta grande feira de pequenas editoras, todos os livros têm desconto!!! A feira acontece hoje, amanhã e Domingo, lá mesmo. E quem puder, leve fanzines com o seu trabalho, não vão vacilar de novo!
:: Bá 4:05 PM [+] ::

...
:: 17.10.02 ::
Quem sabe a idéia de colocar aqui todo o meu progresso em relação a essa nova história que eu vou desenhar para o FRONT não me ajude a manter uma regularidade na produção. Ter algo a dizer constantemente me obrigará a ter produzido algo novo com a mesma velocidade.

Ao menos, essa é a idéia.

Hoje, enquanto desenho uma pequena história de uma página, peguei o texto da história sobre feminilidade e o dividi em quantas páginas eu penso em transformá-lo em quadrinhos. Deram 10 páginas e eu já fiz o thumbnail das três primeiras.

Daqui a pouco, saio para uma noite de autógrafos do novo livro de classificados do Laerte.
:: Fábio Moon 5:47 PM [+] ::

...
:: 16.10.02 ::
Pronto!

Esteve aqui, durante as últimas duas horas, uma equipe do Jornal da Globo. Um repórter bem articulado e principalmente longe de ser um completo acéfalo, um câmera e um boom (ao mesmo tempo, o nome dos aparelhos e de seus respectivos operadores). A tira-colo – e devidamente fora do plano durante as gravações – , o Jotapê, editor dos nossos livros na Via Lettera, e a Paula. acessora de imprensa rsponsável pela Primavera dos Livros.

Falamos bastante e, como é de se esperar de qualquer programa jornalístico, vai aparecer pouco. Mas vai aparecer.

Eu não sei quando.

O Jornal da Globo é aquele tarde da noite. Esperemos que passe hoje, amanhã ou depois. E que, de alguma forma, mencione a mesa redonda no evento de sábado.

...

O novo FRONT sendo produzido é o 13. O tema é feminilidade. Vamos ver o que eu e o Bá conseguimos produzir para esse número, depois de dois números sem produzir nada.

Na verdade, eu já tenho uma história escrita para esse número, uma que eu escrevi há algum tempo, como um conto. Essa história foi, de certa forma, uma homenagem a várias pessoas. A pessoas que gostavam que eu escrevesse contos, a um amigo o qual me chamou a atenção a vista que ele tinha de sua janela e a uma amiga que escrevia história femininas.

Quando eu li, pela primeira vez, as histórias dessa minha amiga, fiquei impressionado como era forte a impressão de que eu estava lendo algo escrito por uma mulher. Não pelo assunto, mas pelo modo de falar, pela experiência única (para mim, que sou homem) de ser levado a um passeio pelo mundo através dos olhos e dos pensamentos de uma mulher. Fiquei imediatamente com vontade de desenhar um de seus contos, e disse isso a ela várias vezes. Entretanto, acabamos nos afastando e nunca levamos adiante essa idéia.

Quando eu escrevi esse conto, ela estava deixando o país e eu pensei em lhe fazer essa homenagem, numa última vontade de ler uma história dela, mesmo que não fosse ela realmente a autora. Agora, para completar todo o círculo dessa minha história, falta transformar conto numa história em quadrinhos. E uma que fique diferente de uma história que seja exclusivamente feita por mim, que também deixe a impressão de que você está lendo uma história pelos olhos de uma mulher.
:: Fábio Moon 6:22 PM [+] ::

...
Hoje, tentaremos novamente.

Aparentemente, a matéria que iria acontecer na segunda vai rolar hoje à tarde. Alguém na equipe de redação continua achando a pauta ótima e quer fazer para antes da Primavera dos Livros (que acontece NESSE final de semana, 18, 19 e 20 de outubro, no Centro Cultural São Paulo, perto da estação Vergueiro do metrô).

Qual é a importância de buscar esse tipo de divulgação para o trabalho dos quadrinhistas?

Em primeiro lugar, porque toda divulgação ajuda. Mas acho que a razão principal é a chance de mostrar para a maioria das pessoas o tipo de trabalho que nós fazemos através dos quadrinhos. Ainda existe uma pré-concepção do que uma revista em quadrinhos tem: ou é Mônica, ou é Disney ou é Super-herói. Até os grandes nomes das revistas em quadrinhos nacionais da minha infância, como o Laerte, o Angeli, o Fernando Gonsales e os outros dessa geração, hoje não são mais sinônimo de quadrinhos, mas de tira ou de charge.

Uma história em quadrinhos pode abordar diversos temas e falar das mais diversas coisas. Muita gente quer ouvir –ler, no caso – o que é produzido em boas histórias em quadrinhos. Eles simplesmente não sabem que o que eles querem pode ser encontrado lá.

Ou aqui, porque nunca é demais um pouco de auto-propaganda.
:: Fábio Moon 12:08 PM [+] ::

...
:: 15.10.02 ::
O TAK, ou Domingos Takeshita, foi um grande professor. Nos mostrou que a história em quadrinhos vive da história, e não somente dos quadrinhos, nos ensinou a pensar grande, a olhar longe e a sonhar alto. Quando nosso talento estava florescendo, ele foi um dos que se preocupou em regar a semente do que, um dia, nos tornaríamos. Mais do que um grande professor, o TAK se tornou um bom amigo.

O Bolliger, além de grande amigo, se tornou outro grande professor. Para os que só ouviam falar dele, ele se tornou apenas o nosso professor de filosofia. Ele foi, e ainda é, muito mais do que isso. E pelo que ele nos disse, nos ensinou e por tudo que ainda reverbera dentro de nós depois de suas aulas, nós seremos eternamente agradecidos.

A eles, e a muitos outros que passaram pela nossa vida, um feliz dia dos professores.
:: Fábio Moon 1:32 PM [+] ::

...
:: 14.10.02 ::
Veja como as coisas são. O processo de produção do FRONT é, se não único, no mínimo interessante. Interessante para mostrar para as pessoas quanta coisa se passa na realização de um grupo de histórias em quadrinho sobre o mesmo tema, ou mesmo apenas todo o trabalho por trás da confecção de qualquer história em quadrinhos. É difícil fazer uma história fácil de ler. Mas, aparentemente, isso tudo não é interessante o suficiente.

Hoje, deveríamos estar sendo entrevistados sobre histórias em quadrinhos, sobre a primavera dos livros, sobre o trabalho do FRONT e sobre o nosso trabalho pessoal, mas, em tempos de eleição, tempestade econômica da bolsa, do dolar e da inflação, só é interessante o que está relacionado com o "incerto futuro do país".

O que eu acho incerto é se as pessoas vão ter o que ler no futuro.
:: Fábio Moon 6:02 PM [+] ::

...
:: 13.10.02 ::
Que falta faz um evento de quadrinhos para o público e para o mercado. Quando você lê uma história em quadrinhos, você está sozinho, trancado no seu quarto, longe daqueles que não o entendem. Quando você está produzindo quadrinhos, você está sozinho, trancado no seu quarto, longe daqueles que não o entendem. O meio dos quadrinhos é, por natureza, extremamente solitário. Qualquer evento que una uma porção de gente que nunca se encontra torna os quadrinhos num movimento cultural, numa tempestade de empolgação, mesmo que todos estejam empolgados somente com uma grande feira de gibis com desconto.

Agora, de volta ao trabalho. Há muito o que fazer antes da noite chegar. Hoje é uma noite especial, mas isso eu conto um outro dia.
:: Fábio Moon 3:56 PM [+] ::

...
Ontem (sei que de nada adianta falar de um evento que já passou, mas...) fomos ao FestComix ou algo assim, uma grande feira de Quadrinhos que ocorreu no predio da Gazeta, na Av. Paulista. Muitos autores presentes davam um tom de Convenção ao evento, mas no fim das contas era uma grande feira com muitos descontos e algumas sessões de autógrafos. Ficou devendo umas palestras e workshops e coisa do gênero.
Fomos pra ver o deseenhista argentino Eduardo Risso, do "100 Balas", e valeu muito a pena. Sujeito simpático e disponível, sem estrelismo nenhum.
Legal também foi ser parado e reconhecido pelo nosso trabalho, por pessoas que nunca tinha visto antes. Mostraram-me vários portifólios, muita coisa boa. No entanto, só ganhei 1 fanzine, pois ninguém associou este grande evento à sua grande oportunidade de distribuir seu trabalho independente.
Bom, é um começo. Agora precisa continuar e crescer.
:: Bá 3:50 PM [+] ::

...
:: 10.10.02 ::
Eu acho que estou escrevendo nossa próxima grande história.
Que eu estou escrevendo uma história, isso eu já sei –e agora, vocês também. Sei também que ela está sendo escrita para se tornar uma história em quadrinhos, embora ainda não saiba quem vai desenhá-la. Se o Bá gostar da história, acho que eu o convenço a desenhá-la. E o Bá, quando gosta de uma história, é o melhor artista que eu conheço. O problema é se eu gostar demais da história, aí eu mesmo vou querer fazer tudo, já estamos completamente impregnado com milhares de imagens de todos os quadrinhos da história.

Uma grande história se torna um livro. Uma história mais curta se junta a outras, essas também de tamanhos variados mas predominantemente curtas, e se torna parte de um livros de várias histórias. Por fim, existem as histórias que, épicas, precisam de mais do que um livro para serem contadas.

Vejamos que tipo de história essa nova história vai se tornar.

...

Uma das coisas que eu e o Bá mais sentimos falta dos tempos do 10 Pãezinhos como fanzine é a interação com o público. Conversar sobre o que as pessoas acharam da história, o que elas não gostaram – ou não entenderam – e o que, para elas, foi inesquecível. Quando você cria um tipo de história que está direcionado para um público que não tem como pré-requisito ser um leitor de quadrinhos, você precisa conhecer o seu público. Mesmo que o processo criativo seja exclusivamente do artista e que o trabalho seja um retrato da opinião individual dele, ainda assim o artista não pode ser cego para o mundo à sua volta. O artista que diz que não se importa com o público não enxerga que, ao criar uma história para si próprio, está criando uma história que agradaria os que são parecidos com ele.

No fanzine, contumávamos receber cartas. Algumas cartas chegam até hoje. Elas estão todas guardadas como testamento do que você consegue quando diz ao mundo a sua opinião e a pessoas te escutam. Você sente que faz parte de uma conversa.

Uma conversa que você pode, sempre que quiser, pegar na mão e, página após página, ler uma vez mais.
:: Fábio Moon 6:22 PM [+] ::

...
Novidades no nosso site!

A primeira página tem mudanças – é a página mais legal de mudar, pensando em boas chamadas e imagens que despertem a curiosidade de quem estiver vendo – e essas mudanças levam a outras páginas, também transformadas. Mas não espere nenhum ogro ou monstro de sete cabeças. Simplesmente novas imagens das nossas histórias e algumas notícias sobre eventos e mudanças de endereço dos "loucos".

O site continua no mesmo lugar: é só clicar no link na barra aí de cima da página (onde está escrito 10 Pãezinhos).


:: Fábio Moon 4:16 PM [+] ::

...
:: 8.10.02 ::
Acho que já é uma boa hora de começar a anunciar. Esse ano, vai acontecer em São Paulo, como já aconteceu no Rio, a Primavera dos Livros, uma feira de livros organizada por pequenas e médias editoras.
Além de vender livros, na primavera dos livros também acontecem palestras sobre os mais variados temas (pois existem livros sobre os mais variados temas). Como não poderia deixar de ser, vai acontecer uma palestra sobre histórias em quadrinhos, no dia 19 de outubro, sábado, às 11 horas no Centro Cultural São Paulo. Na realidade, todo o evento vai acontecer no Centro Cultural, nos dias 18, 19 e 20 de outubro.

Mais uma mesa-redonda do que uma palestra, esse "acontecimento" quadrinhístico contará com a presença dos seguintes indivíduos:

Fábio Moon
Orlando Pedroso,
Sonia Luyten
Maringoni
Guazzelli
Newton Foot
Lourenço Mutarelli
Jô Oliveira
Rogério de Campos

O nome da mesa é "Quadrinhos como literatura". Ou "Quadrinhos: Literatura de imagens".

Espero vocês lá.
:: Fábio Moon 5:08 PM [+] ::

...
:: 7.10.02 ::
Nosso BLOG esteve com problemas por mudanças repentinas e inesperadas no provedor. Se tudo der certo, este novo blog vai funcionar por hora.
Ainda preciso descobrir com fazer imagens aparecerem, mas isso vem com o tempo, né? E esse BANNER ai em cima tambem vai ficar onde está, por enquanto. O importante são os textos, as idéias.
:: Bá 10:21 PM [+] ::

...
Textos "antigos" aespera do conserto do BLOG



[9/30/2002 6:19:29 PM | Fabio Moon]
Em Buenos Aires, tango é uma filosofia de vida. Um final de semana se passou cheio de milongas. E, na volta, um grande livro do Quino na mala.

[9/25/2002 7:36:08 PM | Fabio Moon]
Às vezes, você tropeça numa história. Cai no chão, machuca o joelho e, a partir daí, passa um tempão andando mais devagar. Seu trabalho, sempre um companheiro fiel, o acompanha, igualmente manco. Chega a dar dó. –Coitado, olhe lá. Diz que agora vai, mas ainda nem saiu do lugar. Naturalmente, o tempo passa. E com ele, também as feridas cicatrizam. Um belo dia, lá está você, firme e forme, pronto para outra. Outra história. Dessa vez você está preparado. Ela não vai te fazer tropeçar.


[9/20/2002 10:10:16 PM | Fabio Moon]
Super-heróis não são coisa do Diabo. Nem são o fundo do posso das histórias em quadrinhos. Mesmo considerando que, se você chegar ao fundo do posso, olhar ao redor e, de repente, encontrar um desenhista, as chances dele ser um desenhista de super-heróis ser grande, ainda assim eu insisto: super-heróis não são coisa do Diabo. Eu não gosto de tudo que sai publicado em quadrinhos. Acho que a maioria das revistas de super-heróis não apresentam histórias bem contadas, não demonstram o talento dos artistas e, acima de tudo, enganam os fãs que saem sempre a espera de mais, a espera da revista em que eles finalmente estaram satisfeitos enquanto leitores. Em geral, acho que as revistas de super-heróis nos dão cada vez menos daquilo que estávamos acustumados. Mas, de vez em quando, eu leio uma boa história de super-heróis, e eu não tenho vergonha de dizer que eu gostei. Mesmo que o desenho não seja no estilo que eu mais gosto. Mesmo que os mocinhos vençam. Mesmo que não haja sexo, drogas e rock & roll. Mesmo que seja um grito distante da nossa realidade. Mesmo que seja bobo. Às vezes, a história funciona. E é isso que todo contador de histórias quer, não importando o tipo de história que está sendo contada. Se você quer ser um artista, um desenhista de história em quadrinhos, esteja preparado para desenhar uma história de super-heróis. Não porque só essas histórias dão dinheiro. Não porque só assim você vai se tornar conhecido lá fora. Mas porque você deve conseguir desenhar de tudo. Do mesmo modo que você espera que o bom artista de super-heróis deve conseguir desenhar com o mesmo entusiasmo o herói, o super vilão e o homem comum, o poste, o cachorro e o carro estacionado na esquina, também o artista "independente" deve conseguir desenhar de tudo, incluse super-heróis, vilões intergalácticos e fortalezas da solidão. Não desenhar um certo tipo de história deve ser uma escolha e não falta de habilidade,
:: Bá 10:00 PM [+] ::

...

This page is powered by Blogger. Isn't yours?