Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
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:: 27.2.03 ::


El intelectual, en mi entender, ha venido al mundo nada más que para esforzarse en perseguir la verdad, y una vez encontrada lanzarla canoramente al viento.
José Ortega y Gasset


José Ortega y Gasset (1883-1955) foi um escritor e filósofo espanhol. Foi, de seu modo, um artista. E na rua que hoje leva o seu nome aconteceu a exposição CONSECUENCIAS - hitorieta brasileña com o trabalho dos novos artistas dos quadrinhos brasileiros, cujo catálogo chegou hoje pelo correio.

Me perguntaram por que tantos quadrinhistas brasileiros não foram à abertura da exposição, ou, na verdade, "por que só vieram vocês?", vocês sendo eu, o Bá e o Maxx. Quarenta autores e só três foram à exposição.

Muita gente que participou da exposição gosta de fazer quadrinhos (e tem o seu valor na produção, nacional, ou não estariam na exposição), mas pouca gente nesse aglomerado de artistas é quadrinhista. São, em sua maioria, ilustradores e artistas que produzem quadrinhos da mesma maneira que ilustram e fazem caricatura e fazem milhões de outras coisas. Quadrinhos, para esses artistas, é somente mais uma de suas funções como artistas, não é aquilo pelo qual eles definem o seu trabalho e o que querem da vida. Sendo assim, fazer uma viagem para a Espanha, gastar tempo e dinheiro só para mostrar a cara e levar a sério o fazer quadrinhístico se torna um luxo que eles não querem.

Você deve se levar a sério para que outros o levem a sério. Foi isso que eu vi na Espanha: espanhois que levavam o seu papel como produtores de histórias em quadrinhos muito a sério e, indo além, levavam tudo o que eu dizia a sério, por eu ser também um quadrinhista como eles. Talvez mais quadrinhistas fossem levados a sério na exposição, mas esses não se levam a sério em primeiro lugar e não compareceram.
:: Fábio Moon 3:21 PM [+] ::

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:: 24.2.03 ::
O novo site

Já faz tempo que não sai nada novo. Não participamos dos últimos três FRONTs, não lançamos ainda um novo livro, não publicamos NADA. De vez em quando, colocamos alguma imagem, mesmo que sem nenhum propósito aparente, aqui nos "loucos" ( porque, que se deixe bem claro, esse espaço é para falar de quadrinhos e não uma festa da mãe Joana de colocar imagens avulsas ), mas nem mesmo o site nós atualizávamos. Tá certo que, no site, a gente nem sabia se alguém visitava, se alguém via, se alguém ao menos sabia de sua existência. Estava lá para que os nossos supostos fãs tivessem um site para se informar sobre o nosso trabalho. Mas já faz tempo que nós não fazíamos nada.

2003 é um ano de mudanças, de esperanças e de novidades. Para que isso fique bem claro, e para que também fique claro a importância que damos ao público leitor, mudamos toda a cara do site, colocamos várias informações e várias imagens novas, tudo isso para que vocês possam acompanhar e fazer parte de toda essa mudança.

Não deixem de dar uma olhada em todas as páginas e de passear com o seu mouse por todos os cantos do site, pois cada clique pode revelar uma imagem nova.

Vamos lá, dêem boas-vindas ao site 10 Pãezinhos 2003!
:: Fábio Moon 6:44 PM [+] ::

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:: 21.2.03 ::
Os quadrinhos estão caros, é o que dizem. talvez seja verdade, mas até aí, tudo parece estar caro.

Você vai à livraria e procura um livro de quadrinhos, como o Girassol e a Lua ou qualquer outro. A maioria desses livros não sai por menos de vinte reais. Até aí, você também vai encontrar muitos livros que não saem por menos de vinte reais.

"Mas eles são livros!" gritam os indignados. "Gibi se compra na banca por um precinho bem baratinho!"

Nem as bancas vendem mais quadrinhos por um preço barato. Mas, ao fazer algumas contas, vi que não é tão ruim assim. Pelo menos, se formos comparar com o quanto gastaríamos comprando gibis importados.

Um gibi do, sei lá, Homem Aranha, sai nos Estados Unidos por uns três dólares. Isso, em reais, dá mais de déz reais. Por um gibi! Sem contar que o dolar DEVIR, valor estipulado para a conversão dos gibis importados, está mais de quatro reais para cada dolar, tornando os gibis importados ainda mais caros.

Se você pensar assim, os gibis da Panini, por sete reais aproximadamente, contendo o equivalente a quatro gibis importados, não saem tão caro.

Ainda está caro, mas como eu disse, tudo está caro hoje em dia.
:: Fábio Moon 12:14 PM [+] ::

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:: 19.2.03 ::
O que estamos lendo

O Eduardo Risso disse que não lê mais histórias em quadrinhos, pois sente que olhar para o traço de outros artistas pode influenciar o seu estilo e ele prefere deixar seu estilo do jeito que está. Afinal, como diriam meus amigos esportistas, não se mexe em time que está ganhando.

Eu não conseguiria parar de ler quadrinhos, pois eu gosto de ler histórias em quadrinhos, não é somente meu trabalho e minha paixão. Acho que uma boa HQ traz algo que não se acha nem em filme e nem em livro, uma amálgama de palavras, imagens e imaginação do leitor, poesia de imagens e um jogo de vai e volta constante a cada página. Por mais que a quantidade de histórias ruins seja maior do que a de boas, sempre tem algo que valha a pena ler, ou ao menos dar uma olhada.

Hoje em dia, eu compro regularmente duas revistas importadas: Bone e Strangers in Paradise. Na primeira, por 50 edições (até agora), o ilustríssimo Jeff Smith vem contando de forma magistral a história de três primos perdidos num vale encantado. Se você juntar a eficiência do storytelling com a beleza e simplicidade do desenho, mais a hilárida esperteza dos diálogos, a trama envolvente e o fato de nenhuma edição ter um desenho feito às pressas e estar "feio", você tem provavelmente o melhor gibi da década de 90 publicado nos Estados Unidos. Cada edição de Bone é uma lição de história em quadrinhos.

Já o Strangers in Paradise é um caso diferente. Começou chamando a atenção pelos personagens reais e pelos seus igualmente reais sentimentos e angústias. O desenho tinha claramente os seus defeitos (até hoje tem), mas passava tudo a que se propunha. O Terry Moore, continuando a história das duas amigas e um cara, construiu provavelmente a mais elaborada história "sentimental" dos quadrinhos independentes, onde os sentimentos surgem, os personagens lidas ou não com eles, consequências aparecem e tudo isso acontece enquanto todo mundo tem que levar a vida como dá. Déz anos se passaram desde que a história começou e, hoje, com um desenho muito mais refinado, a história parece chegar a seu climax, num "ou vai ou racha" que nos prende edição depois de edição.

Por muito tempo eu e o Bá só nos imaginávamos desenhando histórias de super-heróis. Descobrir Bone e Strangers in Paradise nos trouxe de volta ao que realmente queríamos: contar nossas próprias histórias.

Procurem as edições em português de Bone e Estranhos no Paraíso (Strangers in Paradise) pela Via Lettera e pelaPandora.

E vocês, o que vocês andam lendo?
:: Fábio Moon 7:10 PM [+] ::

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:: 18.2.03 ::
Para os 7000 visitantes que passaram por aqui (três por dia, três vezes cada e um perdido), a notícia: acabei a história nova, com tudo que me dei ao direito fazer. Na verdade, estava pronta desde ontem, mas esperei um número simbólico na contagem pra fazer o pronunciamento. Inclusive, uma versão devidamente traduzida para o Inglês estará voando sobre as Américas até o fim da semana.

Sobre o novo livro, ou os livros, estaos em reunião pra analisar o material que temos em mãos e a pesquisa levantada durante estes últimos dias. Também sentimos falta de um novo 10 Pãezinhos e faremos de tudo pra lançar os 2 álbuns este ano, além do já esperado Rolando.

Pra terminar, para aqueles que ainda têm o costume de consultar nosso site e viram que ele não tem sido atualizado, estamos reestruturando tudo e colocaremos a nova versão ainda este mês, antes do Carnaval.
:: Bá 7:19 PM [+] ::

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:: 13.2.03 ::
A PADARIA QUER SABER!

Estamos querendo saber a opinião dos nossos leitores para planejarmos nossos próximos lançamentos. Agradecemos a todos por colaborarem e, se possível, gostaríamos que vocês justificassem, mesmo que brevemente, suas respostas.

Temos desenhado várias histórias curtas e médias nos últimos meses. Entretanto, nenhuma dessas histórias é grande o suficiente para ser lançada em um novo álbum. Estamos ainda pensando numa próxima história que seja longa a ponto de caber em um livro inteiro ? ou até em mais de um. Mas a produção de quadrinhos não é das mais rápidas e, como todos sabemos, não sai um novo 10 Pãezinhos desde 2001.

O que VOCÊS preferem: uma nova grande história inédita que ainda não tem data de lançamento ou uma coletânea de pequenas histórias (também inéditas) que poderia ser lançada antes do meio do ano?

RESPOSTA: todos preferiram o livro de histórias curtas, com já era de se esperar.
:: Fábio Moon 7:43 PM [+] ::

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:: 10.2.03 ::
Gosto pelo trabalho

Fazer quadrinhos envolve uma série de repetições. Você pensa numa sequência de eventos. Depois, você repensa essa sequência em páginas e, gradativamente, revê toda essa sequência a medida que vai fazendo as páginas. Depois, você passa a arte final e novamente tem que enfrentar a mesma sequência, talvez ainda tendo que olhar para todo o mateiral outra vez na hora de escanear e, dependendo do autor, na hora de colocar as falas no computador.

Você passa pela sua história tantas vezes que é essencial que você goste do que está fazendo, ou acabará perdendo o interesse pelo próprio trabalho. E, nesse caso, provavelmente vai deixar uma história por terminar.

Aí, só você vai poder olhar para essa história interminada. De novo e de novo.
:: Fábio Moon 7:00 PM [+] ::

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6666 visitantes. Nossas histórias estão ficando mais sombrias, duras, reais. É preciso mostrar o lado podre da vida pra poder apreciar as viradas de maré, quando finalmente algo de bom acontece.

Sei lá, é cedo e eu estou de ressaca, coisas de mundo podrera.
:: Bá 10:18 AM [+] ::

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:: 8.2.03 ::
Essa semana, desenhei três páginas. Nada comparado às 17 páginas que o Bá desenhou este primeiro mês, mas finalmente o meu ano começou. Atravessei a rebentação das ondas e cheguei no fundo. Agora só faltam as ondas.

. . .

Quem é mais importante?

Estava lendo na semana passada um artigo que discutia quem era mais importante na produção de quadrinhos: o desenhista ou o roteirista? A matéria se centrava na produção americana de super–heróis, pois nela a separação das diversas fases da produção quadrinhistica fica mais clara, mas fiquei pensando também nessa questão aplicada a uma produção mais independente, ou mesmo na produção europeia, ou ainda na parca produção nacional, onde a maioria dos artistas escreve suas próprias histórias.

O artigo tentava colocar méritos para as duas funções: O roteirista tem a responsabilidade (e, às vezes, o fardo) de criar a partir do nada, da tela branca do computador onde nada é pre-estabelecido, e fazer desse nada uma boa história. E nesse ponto, o desenhista já parte do roteiro, dos personagens já criados e estabelecidos.

O desenhista, por sua vez, tem importância suprema no produto final, pois é o trabalho dele que as pessoas irão ver e é através desse trabalho que essas mesmas pessoas vão chegar à história do escritor. Um desenhista ruim pode estragar uma boa história e um desenhista fantástico pode criar uma maravilhosa história a partir de um roteiro ruim.

Outros pontos são colocados, mas a pergunta central é: o que é mais importante, o desenho ou a história?
:: Fábio Moon 12:09 PM [+] ::

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:: 7.2.03 ::
Amanhã, sábado dia 8 de Fevereiro, eu e o Bá estaremos no estande montado pela Via Lettera na praça Benedito Calixto como parte do evento de comemoração do dia do quadrinho nacional – é, aquele que foi no dia 30 de Janeiro.

Basicamente, estaremos lá de visita, prestigiando o lançamento do livro de tiras da Via Lettera, mas quem aparecer e quiser comprar um dos nossos livros ganha autógrafos e desenhos exclusivos. E se você já tem o livro e quer só o autógrafo, esta também é a sua chance. O contato com as pessoas é o que importa.

Já no domingo, no festcomix, evento de quadrinhos que acontece no prédio da Gazeta na Avenida Paulista, procurem pela revista PREY, disponível em primeira mão pelos autores Shane Amaya (o mesmo escritor do Roland) e Bruno D'Angelo para o evento. Lançada nos Estados Unidos no ano passado, a publicação independente chega agora para os que quiserem conferir que quando se quer, se faz! Nós talvez daremos uma passada no evento também, mas só como turistas acidentais.

Bom, de volta ao desenho.
:: Fábio Moon 11:32 AM [+] ::

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:: 5.2.03 ::
Lá vamos nós de novo.
Hoje fui conversar com o pessoal da Quanta Academia de Artes, pra tentar dar aulas lá esse ano. Eu dei aula de HQs durante o ano de 2001 na antiga escola da Fábrica de Quadrinhos, mas não demos continuidades pelas aulas serem aos Sábados, dia que se mostrou infeliz e inviável para essa atividade tão especial. Depois de muitas mudanças na escola (inclusive o nome) e a desvinculação com a Fábrica, eles me convidaram novamente a fazer parte da equipe docente. Mais um passo pra disseminar as minhas controversas idéias sobre os Quadrinhos para um número cada vez maior de pessoas. Agora só falta uma turma pra mim.

Estarei lá de Segundas e Quartas à noite (talvez durante a tarde também role, veremos), lecionando o curso de HQ (óbvio). Os interessados entrem em contato com a Quanta no link acima ou pelo telefone (11) 3214 0553.

Liguem!!!
:: Bá 4:56 PM [+] ::

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:: 3.2.03 ::
Acho que eu vi uma fada



–Acho que vi uma fada.

–Mesmo?

–É.

–Acho também que vi um sapo.

–Sapo?

–Sim.

–O que mais você viu?

–Vi uma menina linda.
:: Fábio Moon 4:51 PM [+] ::

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:: 2.2.03 ::
Lá estava eu, em plena praia na ensolarada costa baiana, em princípios de 2001. Estava viajando, estava com amigos queridos e estava, acima de tudo, feliz. Estava feliz por tudo o que eu disse antes e, também, por estar ávido pelo que me esperava no futuro. Minhas férias na Bahia estavam tão ligadas ao meu então futuro – hoje presente – que eu não parava de desenhar.

E foi num desses dias maravilhosos na Bahia que eu vi, tomando sol a poucos metros, duas garotas. Uma morena e outra loira.

Elas eram muito bonitas. Não eram exatamente o padrão "modelete" de beleza, mas havia algo nelas que me trazia a mente duas palavras: graça e delicadeza. E lá estavam essas duas garotas, com graça e delicadeza, tomando sol, uma deitada e a outra, a morena, sentada, levando uma das mãos à frente dos olhos para se proteger do sol e tentar, da melhor maneira que pudesse, admirar a vista. Era, afinal de contas, uma bela vista.

Essas duas garotas viraram um cartão postal. Eu, que levo cartões postais com frentes brancas e desenho neles o que encontro nas viagens, encontrei essas duas garotas, tão familiares em suas estranhezas, e as retratei num cartão endereçado à pessoa que mais sentido fazia ver também o que eu estava vendo, pois ele retrata essas garotas todo mês, mesmo sem encontrar com elas na praia.

Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2003, dois anos depois de ter mandado o cartão, eu vi novamente a imagem que nele foi desenhada, publicada na revista Strangers in Paradise nº 54, na seção de cartas.

Tive saudades dos amigos distantes, das histórias passadas e das garotas deitadas na areia quente.

. . .

saiba mais sobre Strangers in Paradise.
:: Fábio Moon 4:38 PM [+] ::

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