Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
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:: 27.3.03 ::

Releituras

A releitura literal é o ato de ler novamente algo que você já leu. Hoje em dia, me vejo cada vez mais com vontade de reler muito do que li quando era criança, pensando se, na época, eu não era muito novo e ingênuo para realmente entender sobre o que se tratava a história. Watchmen é muito mais do que somente uma história de super-heróis, V de Vingança é muito mais do que um simples mistério de um vingador mascarado e Sandman é bem mais do que somente um "Deus" punk que reina no mundo dos sonhos.

Depois de anos, você muda e se sente como se estivesse lendo uma história pela primeira vez, entrando em portas que antes você deixava trancadas, ou nem sabia que existiam.

Outro tipo de releitura é o ato de retrabalhar algo que você já leu, que já foi feito, e nessa refacção colocar o seu ponto de vista, o seu estilo, a sua mensagem. Esse tipo de releitura não afeta tanto a você enquanto indivíduo, mas sim todos aqueles que se depararão com o seu trabalho, que o relacionarão com a idéia original, que irão tentar encontrar na sua versão da leitura deles o mesmo atrativo que os levou a ler uma primeira versão há muito tempo atrás.

Misto de homenagem e adaptação, a releitura busca a essência da arte que sobreviva independentemente da roupagem que lhe é posta.

releitua pessoal: talvez o mais estranho de se deparar com o próprio trabalho impresso, anos após ele ser concluído, é encontrar nele qualidades que sobrevivem no trabalho, independes de terem sidos criadas por mim. Frases e desenhos, que agora pertencem às páginas de um livro, me tocam como tocariam a outro leitor satisfeito e, muitas vezes, chego a me esquecer por um momento que fui eu que fiz.
:: Fábio Moon 8:40 PM [+] ::

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:: 24.3.03 ::
Não sei por onde começar, talvez pela noite em que nos encontramos pela primeira vez. Como já contei essa história algumas vezes (sua natureza fantástica lhe deu lugar de honra no meu hall de histórias), serei breve. Naquela palestra na FNAC, em Agosto de 2001, havia um rapaz que, ao contrário do que normalmente acontece em palestras sobre HQ, fazia várias perguntas, pertinentes todas, e mostrava realmente conhecer o assunto da noite, que no caso era o nosso trabalho. Depois de terminada a palestra, esse mesmo rapaz, que havia chegado de Londrina de manhã e voltaria no dia seguinte para lá, veio até a mesa e nos mostrou seu "fanzine encadernado" do Girassol e a Lua e nos entregou o seu próprio trabalho, o zine CLANG!. Bom, esse é um resumo de como conhecemos o Papito.

Como já mencionamos aqui no blog, no ano passado ele e o Yuge lançaram um pocket, um mini gibi, em Londrina, e nos convidaram para o lançamento. Para produção do gibi (aliás, produção de uma série de quatro gibis), eles conseguiram apoio da secretaria de cultura através da lei de incentivo, o que ajudou na festa de lançamento e na nossa presença na noite da festa também. Tudo muito organizado, apesar da correria e nervosismo, e uma ótima festa, com presença da imprensa local, vários posters plotados, decoração combinando com os desenhos da história e muita gente prestigiando o evento. É de se orgunlhar.

Bom, tudo isso foi só uma introdução à minha análise do trabalho recente destes artistas londrinos, a série TIPOS. Papito e Yuge já lançaram duas edições, estão prestes a lançar a terceira e já estão produzindo a quarta, além, é claro, de buscarem novos patrocínios para continuar produzindo seus gibis. Com muita qualidade gráfica e sem exageros, eles viabilizaram o sonho do quadrinhista brasileiro de produzir sua própria revista, contando suas próprias histórias, numa escala de distribuição maior que qualquer zine e, ponto positivo ao ver da padaria, se atendo unicamente às histórias e à arte de contar histórias em quadrinhos.
Em revistas que contém somente uma história por edição, eles têm espaço para contar pequenas, porém profundas histórias sobre as incertezas que afligem seus personagens e, por que não, todos nós. Fazendo algo não muito comum na HQ barsileira, eles são sérios e têm coisas sérias pra dizer, não somente em suas histórias mas também sobre seu trabalho. Esse é um dos grandes diferenciais sobre a dupla, o fato deles levarem os Quadrinhos tão a sério e isso reflete na qualidade do trabalho e nas vendas, boas para qualquer produção nacional, pricipalmente para algo tão independente e novo.

Habitando a tênue linha que divide ficção e realidade, os dois criaram um grupo de personagens e seus conflitos e a cada edição focam em um de seus tipos. Com desenhos que captam de maneira maestral os detalhes e imperfeições das pessoas e do mundo real, eles mostram como usar o desenho a favor da história e dar vida aos personagens. Os textos das histórias também surpreendem pela simplicidade com que conseguem expressar sentimentos tão complexos ou até mostrar a mais corriqueira das dúvidas.

Para alinhavar os dois elementos da HQ existe ainda uma terceira ferramenta muito bem utilizada pela dupla: as músicas. Para quem diz que o que falta ao quadrinhos é o som, Papito e Yuge fazem de suas histórias filmes e escolhem com muito cuidado a sua trilha sonora, pois ela é uma peça fundamental no quebra-cabeça que os dois propõe. Assim como essas músicas falam das necessidades e incertezas de uma geração, são valiosas na criação de um universo rico e tridimensional, palpável e que atinge o leitor por todos os lados.

Acredito ser uma leitura obrigatória para quem se importa com o Quadrinho nacional, ainda mais por contar histórias que até quem não lê quadrinhos vai gostar. Eles estão mostrando que, antes de tudo, o que importa é ter uma boa história pra contar e saber a mensagem que você quer contar com sua história. Corram atrás de seus exemplares, pois acredito que se esgotarão rapidamente e se tornarão ítens de colecionador.
:: Bá 8:34 PM [+] ::

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Hoje saiu uma ótima (porém curta) resenha no Universo HQ sobre a série TIPOS, do Yuge e do Papito, de Londrina. Já faz um tempo que estamos devendo um detalhado relatório sobre o extraordinário trabalho dos caras, mas enquanto não o fazemos, leiam a materinha no link acima e corram pras lojas a procura do seu exemplar.

Dica: Procurem a ótima versão que vem dentro de uma embalagem plástica incluindo uma folha de papel cartão que emoldura e divulga a série. Profissionalíssimo e de morrer de inveja. Eles estão mandando muito bem.

PS: Papito e Yuge, vi o número 2 na Comix e não aguentei, tive que comprar. Não dava pra esperar pelo correio e essa "embalagem" especial é muito legal. Continuo esperando o terceiro número.
:: Bá 2:42 PM [+] ::

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:: 21.3.03 ::

Novidades no SITE


:: Bá 7:51 PM [+] ::

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Finalmente deram uma nota no Universo HQ sobra a reestilização do nosso site, depois de quase um mês no ar. Antes tarde do que nunca, não é mesmo? Nada ainda no Omelete.
Daqui a pouco a gente atualiza tudo com outras novidades e eles terão que acompanhar nossa impressionante velocidade.
:: Bá 5:24 PM [+] ::

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:: 18.3.03 ::
Quantas pessoas nós somos?

Bom, o Fábio e eu já somos dois, mas muitas vezes somos um só, uma equipe, por assim dizer. Mas, ainda assim, temos que nos desdobrar em muitos mais de nós pra dar conta de tudo que nós fazemos, que não é muito, mas nós fazemos tudo por aqui. Quando penso em uma história sozinho, me transformo em toda a equipe, penso no argumento, faço os desenhos, coloco as falas. O Fábio também tem seus momentos de multi-homem.

E o site, então? Nós fazemos o site, cuidamos dele e do blog. Pro site, todas as imagens tem que ser tratadas e incluidas no porjeto gráfico em geral, assim como no blog temos que pensar sempre em novos conflitos pra compartilhar com os leitores, que são tão poucos. Certo está o Mutarelli, que só faz suas histórias e não se preocupa com mais nada, faz porque tem que fazer e o resto é resto.

No entanto, a melhor equipe que podemos formar é quando trabalhamos juntos. Nossas melhores histórias são aquelas que pensamos juntos, prooduzimos juntos, histórias como O Girassol e a Lua, Meu Coração, Não Sei Por Que e É Tarde pra Café. Todas essas histórias têm um algo a mais em relação às outras que nós contamos quando trabalhamos individualmente. Parece que duas cabeças funcionam mesmo melhor do que uma.

Bom, estou falando sobre isso porque acabamos de criar outra história juntos e estamos imensamente felizes com nossa criação. O roteiro está pronto, terá 16 páginas, os thumbnails estão prontos e estamos fazendo vários rasunhos de locações e personagens, pra pegar o clima da história. Em breve colocaremos imagens e novidades no site (porque temos que cuidar de tudo, não é verdade?).

Vai ficar DUCARALHU.
:: Bá 12:37 PM [+] ::

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:: 11.3.03 ::

Censura

Talvez seja polêmica boba, talvez seja ignorância artística e histórica dos governantes e talvez seja uma reclamação razoável. O ponto é que um livro didático deixou de ser vendido porque censuraram as ilustrações nele publicadas, todas feitas pelo ilustrador Negreiros, sob a justificativa de serem "racistas" e "preconceituosas" em relação a figura do negro. Mais informações na matéria publicada pelo Estadão.

Para mim, parece mais uma homenagem às ilustrações da época do que uma afronta imperdoável ao negro brasileiro.
:: Fábio Moon 2:54 PM [+] ::

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:: 9.3.03 ::
A colagem visual

Desde a gravura, a idéia de que o importante na arte é o resultado final e não o original do artista foi colocada na discussão da qualidade da produção artística. Histórias em quadrinhos são, como mídia impressa, imediatas descendentes dessa idéia, mas hoje em dia o original pode nem mesmo existir.

O Kitagawa, contribuidor do FRONT, hoje em dia faz desenho soltos e, depois de escaneá-los e tratá-los, monta sua página diretamente no computador. O mesmo acontece com Alex Maleev, que hoje em dia desenha o demolidor, juntando seus desenhos com cenários fotográficos e texturas extraídas de, nada mais, mada menos, gravuras.

O resultado final é importante, é o que o leitor vai encontrar ao comprar o gibi, ao ler a história. Se o resultado final funciona, o processo é irrelevante. Ou será que não é tão simples assim?
:: Fábio Moon 3:32 PM [+] ::

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:: 6.3.03 ::
Ontem vi na TV Cultura, no Metrópolis ou no Vitrine (não sei ao certo, estava mudando de canais e a chamada me chamou a atenção), uma reportagem sobre um lançamento de um livro de histórias em quadrinhos no estilo mangá feitas no Brasil sobre temas cotidianos, como correspondência com os amigos, vestibular, entre outros. Na matéria, dizia que o livro deveria ser publicado em breve pela Via Lettera, mas não encontrei nenhuma informação sobre isso no site da editora.

Uma das artistas disse algo que me deixou pensando:

"Nos quadrinhos tradicionais, americanos e europeus, o artista tem a tendência de tentar retratar o personagem das histórias como se fosse uma pessoa real, dando ênfase aos traços físicos e em especial ao rosto. No mangá, o desenho é mais solto, pensando mais em transformar o personagem num ÍCONE que todos possam se identificar, pois se identificam com o que o personagem representa."

É uma idéia interessante e, de certa forma, é a base por trás dos uniformes dos super-heróis: transformar o personagem em um símbolo. Um S, um morcego, uma aranha.

Eu acredito na capacidade de personagens representarem símbolos de uma idéia, de um sentimento, mas não sei se precisa do símbolo visual para ajudar a passar essa idéia.
:: Fábio Moon 12:43 PM [+] ::

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