Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
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:: 29.12.03 ::

Nossa história - parte 5

Desenhe sempre. De dia, à noite, toda hora. Não deixe para desenhar somente quando vai fazer uma história. Seu desenho não estará acordado, sua mão não estará quente e o trabalho não será o que poderia ser.

Viajamos. Os dois irmãos, juntos numa viagem para outro continente. Visitaríamos países que nunca antes havíamos passado (alguns, mal ouvimos falar). A motivação era nobre: nossa melhor amiga se casou com um alemão e nós fomos os padrinhos do casamento. Metade da cerimônia aconteceu na Alemanha e lá fomos nós para a Europa.

A Europa, grande em história e cultura, é pequena. Duas horas dentro de um trem e você já mudou de país, de lingua, de cultura. Em São Paulo, você é capaz de passar duas horas no trânsito sem sair da cidade.
Abril ainda mantinha o frio do inverno, o vento, o cinza, a chuva. Mas também já apontava a primavera, dias de Sol e roupas coloridas. Todas as pessoas andavam cheias de roupas, camadas e camadas para se transformarem num amálgama de tecidos que os manteria quentes, dia e noite.

Olhando para todas aquelas pessoas e todo aquele velho mundo (novo para nós), ficamos com a certeza de que daquela viagem conseguiríamos várias histórias.

Só não sabíamos que a mais marcante nos teria como protagonistas.
:: Fábio Moon 2:53 PM [+] ::

...
:: 26.12.03 ::
Nossa história - parte 4

A história autobiográfica conta algo que realmente aconteceu com você. A história autoral somente reflete a sua opinião, a sua voz. Se queremos fazer ambas as coisas em uma mesma história, é preciso encontrar algum acontecimento real que signifique mais do que apenas o ocorrido.

Eis a viagem: primeiro, a viagem do leitor, retirado de sua realidade e mergulhado numa história que não é a dele; a viagem do personagem, que muda durante a história, pois vive, tornando também esta uma história sobre a grande viagem da vida; ainda, uma viagem onde estamos longe de casa e, enquanto estranhos numa terra estranha, estranhas coisas acontecem conosco.

- Você tem certeza?

-A gente sempre conta essa história.

-É verdade. Essa viagem nos marcou para sempre.

-Aconteceu com os dois.

-E só conosco. Sem amigos, sem família, só nós dois.

-Tem gente que nem acredita.

-Se tivesse acontecido no Brasil, todo mundo acreditava.

-Se tivesse acontecido no Brasil, nós provavelmente estaríamos mortos.
:: Fábio Moon 7:00 PM [+] ::

...
:: 21.12.03 ::
Nossa história - parte 3

-Como começa então essa nossa história?

-Não sei. Vai ter narração? Acho que precisa, é muita coisa para contar somente com imagens.

-Principalmente em oito páginas.

-É.

-Quem vai narrar? Eu, você ou em terceira pessoa?

-Ia ser legal ser um de nós dois. Fica mais pessoal.

Pensamos um pouco nessa história. O dia de dois irmãos gêmeos durante a vitória do Lula à presidência da República. Uma história que começa cedo, quando um dos irmãos acorda para trabalhar na eleição, e depois começa novamente quando o outro irmão acorda, depois do meio-dia. Uma história onde várias pessoas se encontram, onde a vida de uma pessoa muda com a descoberta do amor e onde a vida de uma nação muda com a vitória de uma pessoa.

-Imagina se a história pudesse ser colorida, o negro da noite na Avenida Paulista e todas aquelas bandeiras vermelhas.

-É. Será que vai funcionar em preto e branco também? Será que não vai ficar muito espremido, tudo isso em oito páginas.

-Sei lá. Nem sei como a gente começa.

-Estava pensando se essa história tem dinâmica.

-No desenho?

-É. Você acha que a história acontece no desenho também? Você não acha que é muita coisa pra contar, que a história ia ficar um emaranhado de imagens onde o que leva e alinhava é o texto?

-Pode ser. Meio que um texto ilustrado

-Acho que a história tinha que ser mais simples para que o desenho pudesse ficar mais legal. Para poder brincar mais com as páginas.

-Mas assim a gente volta para o problema anterior: qual história é legal? O que aconteceu de legal com a gente.

-Pois é.

Uma história legal que aconteceu com você pode não ser uma boa história para ser contada, pode não ser um bom conto de apenas oito páginas, pode não ser visualmente interessante o suficiente para instigar o leitor. A boa história em quadrinhos é como uma viagem em que você embarca na primeira página e abandona ná última. Se a viagem for boa, marcante, você se lembra para sempre dela e ela passa a fazer parte de você.

-Já sei.

-Diz.

-A história vai ser uma viagem.
:: Fábio Moon 7:34 PM [+] ::

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:: 19.12.03 ::
Nossa história - parte 2

Eu e o Bá temos estilos de desenho diferentes. Ele não é apenas um desenhista e nem eu, um arte-finalista. Apesar de nossos defeitos, somos artistas completos na medida em que fazemos todo o processo de uma história em quadrinhos. Sendo assim, ao fazermos qualquer história, provavelmente pensaremos juntos na trama, nos diálogos, mas somente um de nós irá desenhá-la.

Quando a Diana Schutz nos pediu a história autobiográfica de oito páginas, eu estava no meio da "Feliz Aniversário, Meu Amigo." e, embora essa fosse uma história com elementos autobiográficos (nós como personagens), tinha mais de oito páginas e era fictícia. Segundo nossa lógica cósmica da padaria, se eu estava desenhando uma história, a próxima seria do Bá. Assim tem acontecido desde que fizemos "É tarde para café", desenhada pelo Bá, "Outras Palavras" por mim, "A jogada" pelo Bá e "El Camino" (história que fizemos para a exposição na Espanha) por mim, e assim foi decidido quem desenharia nossa primeira história autoral publicada nos Estados Unidos.

É claro que ajuda o fato do Bá ser um puta desenhista. Sempre que eu penso numa idéia super legal, penso já nessa idéia desenhada pelo Bá. O grande problema que ainda persistia era ainda a história. Agora não era uma questão de criar uma boa história, mas contar uma boa história que aconteceu conosco.

-Eu estava pensando no dia em que o Lula ganhou...

-Hum... sabe que eu tinha pensado nisso também...

-O que você acha? Nós dois fomos ao "Ó do Borogodó", a rua inteira estava fechada para comemorar a vitória do Lula...

-Isso sem contar que eu trabalhei na eleição. A história podia até começar logo cedo, eu indo trabalhar e você ainda dormindo...

-E nós então nos encontramos à noite no "Ó"...

-Eu tinha ido encontrar os amigos e você estava com aquela menina...

-Foi a noite em que eu descobri que estava apaixonado.

-Isso sem contar o sambão tocando ao vivo, todo mundo pulando na rua...

-Um catador de latinhas se enfiou debaixo das minhas pernas pra pegar umas latinhas vazias...

-E o mais legal é que eu peguei minhas amigas - umas cinco - e enfiei todas elas no Jeep e fomos todos lá para a Paulista para ouvir o discurso do Lula ao vivo.

-Ia ser uma história em várias camadas, contando uma história de amor, uma história de amizade...

-Com samba!

-...com samba, e contando também a história do Brasil.

-Será que vai ficar legal?
:: Fábio Moon 3:51 PM [+] ::

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:: 18.12.03 ::
Nossa história - parte 1

"Okay, twins, I have a job for you."

Assim começou o e-mail da Diana Schutz no dia 30 de Abril desse ano. Assim começou mais um capítulo da nossa história. O primeiro trabalho de história e desenho que estávamos sendo pagos por página, que seria publicado num livro ao lado de autores como Frank Miller, Will Eisner e outros, e que seria a nossa primeira garfada no nosso grande prato de dominação do mundo!!!!

O que exatamente a Diana queria?

Ela queria uma história de oito páginas, uma colaboração dos gêmeos num conto autobiográfico para sua próxima coletânia, chamada "Autobiographix".

"Parece fácil", pensamos. Nossas histórias tem vários aspectos autobiográficos. Contar o que há de maravilhoso no dia-a-dia, no cotidiano, os sentimentos e acontecimentos reais (ainda que aparentemente fantásticos) pelos quais todos passamos, isso tudo é o que move nossas histórias, pois é o que move nossas vidas. Mas uma história realmente autobiográfica, verdadeira, foi mais difícil de achar do que imaginávamos.

Em primeiro lugar, decidimos que tinha que ter acontecido com os dois, o que eliminou todas as nossas ótimas histórias de amor. Infelizmente, não houve nenhuma grande paixão simultânea na nossa vida. Estranhamente, quando o Bá está namorando, eu costumo estar solteiro e vice-versa. E também não nos apaixonamos pela mesma mulher.

Outra barreira que colocamos foi a de evitar histórias relacionadas com HQ. Que coisa mais nerd, fazer HQ falando de HQ que aconteceu com a gente. Tá certo que a gente fica muito tempo no calabouço desenhando, mas a vida (a nossa vida e a de todos) está fora do calabouço, nos momentos em que estamos com as outras pessoas. A boa história é aquela que você vive.

-E aquela festa à fantasia?

-Não, só você se deu bem, eu fiquei muito bêbado.

-E o concurso de tango que eu ganhei, viagem para Buenos Aires com tudo pago?

-Aconteceu só com você.

-É...

-E aquela noite, no Borracharia, que nós dois estávamos lá e eu dei em cima da garçonete?

-A gente já contou essa história no fanzine.

-Conta de novo, enfatizando os dois lados da narrativa.

-Não sei não.

A conversa continuaria por dias antes de chegármos a alguma decisão.
:: Fábio Moon 8:01 PM [+] ::

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:: 17.12.03 ::
Há esperança?

Essa semana fiquei sabendo que a revista Contos Bizarros vendeu algo em torno de 15 mil exemplares. Não pude deixar de sorrir, pensando se ainda existe a chance do quadrinho nacional atingir um público maior. Será que vão decidir fazer um segundo número? Será que o mesmo número de pessoas (ou mais) comprarão essa nova edição? Conseguirão Jambo e Ruivão escapar das garras dos terríveis Matador e Mata a Dor?

Ano que vem, todo mundo quer que seja melhor do que esse. É sempre assim, não poderia ser diferente. Ninguém deseja piorar. Nem mesmo uma revista, embora muitas acabem piorando com o passar dos números. O grande desafio de conseguir produzir um segundo número da Contos Bizarros é garantir que esse número vai ser melhor que o primeiro.

Se o próximo ano guarda muitas surpresas, esperemos que essa seja uma delas.
:: Fábio Moon 10:30 AM [+] ::

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:: 16.12.03 ::

:: Bá 4:14 PM [+] ::

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:: 14.12.03 ::
Este fim de semana li duas HQs muito interessantes, em todos os sentidos.

POWERS, quem já não ouvir falar, não é mesmo? Finalmente peguei o encadernado da primeira série, "Who Killed Retro Girl" e li. Sempre seguindo o estilo narrativo de filmes e livros noir, com muitos diálogos conduzindo a história e as imagens cinematográficas que estão lá quase somente para enfeitar (sem desmerecer a arte), o que eu gostei na história foi a maneira com que ele tratou um mundo onde super-heróis (e super-vilões) existem, pessoas com "powers", e como o resto da sociedade se adaptou a essa realidade. Muito semelhante à visão do mundo retratada em MARVELS. Nós, os leitores, temos lido histórias de super-heróis por anos, então estamos acostumados com eles, por isso o escritor consegue nos convencer tão facilmente do modo de vida destas pessoas, que vivem, assim como nós mesmo, num mundo com heróis. Em alguns momentos se faz muito suspense em cima de detalhes aparentemente bestas para a narrativa, mas acho que é o estilo da coisa toda, cheio de repetições, segundas intenções e muitos personagens que sabem mais do que dizem saber. Muitas vezes a forma como as coisas são contadas acaba sendo mais importante do que a coisa em si e seu valor no todo da trama.

O NOME DO JOGO é mais uma grande obra de Will Eisner, uma história sobre o "jogo" de casamentos como forma de escalada social. Mais uma vez voltado para as orígens da alta classe de judeus americanos, essa história mostra a saga de três famílias que imigraram para os Estados Unidos e como o caminho das três se cruza depois de gerações e gerações. Não vai mudar o mundo e nem é uma crítica ferrenha ao estilo de vida americano ou até mesmo ao elitismo pregado pelos próprios judeus entre si, mas conta uma longa história (de 160 páginas) sobre poder, família e dinheiro, sendo esta a ordem crescente de importância. Um modelo a ser seguido, Will Eisner ainda é o mestre da narrativa e continua a busca por suas próprias orígens e as histórias que têm algo a dizer.
:: Bá 3:55 PM [+] ::

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:: 11.12.03 ::
Já faz pouco mais de um ano que eu coloquei aqui nossos primeiros desenhos, depois de insistir por meses que nós não colocaríamos imagens no blog, pois este é um espaço para textos reflexivos sobre Quadrinhos, um lugar pra pensar a sério e não somente apreciar a superfície das coisas (sim, as imagens são só a superfície).

Pois é, agora nós sabemos porque eu não queria colocar imagens. Hoje em dia, é só o que a gente coloca. Primeiro foram alguns rascunhos, depois as tiras, depois páginas. É muito mais fácil colocar um desenho no blog e esperar comentários, ou nem mesmo isso, do que divagar sobre as dificuldades da HQ e acreditar que as nossas idéias vão realmente atingir as pessoas que lêem este blog.

Outro dado alarmante: depois que começamos a colocar mais imagens, o número de visitas cresceu. Claro que isso também depende do número de outros sites com links para sua página e toda essa maravilhosa baboseira que é a internet, mas hoje muito mais gente vê nossas imagens. Viu?? Eu não escrevi lê nossos textos!!

Eu acredito no poder de divulgação da internet e por tal razão temos nos empenhado em manter este canal bem aproveitado, mas a grande e triste verdade é que nós não estamos produzindo tanto quanto deveríamos, só lançamos o "Feliz Aniversário" este ano, o que é muito pouco considerando que temos mais 45 páginas de histórias inéditas que nós ainda não sabemos o que fazer com elas. Nos deixamos envolver demais com o planejamento do nosso ano e ele acabou passando... nos passando.

É verdade que muitas vezes o trabalho fala por ele mesmo, mas é um engano achar que o trabalho são estas imagens colocadas aqui. O trabalho de verdade são as histórias. Eu não sou um desenhista, sou um contador de histórias. O ano está acabando e é hora de começar a planejar o ano que vem, antes que ele também acabe.
:: Bá 5:39 PM [+] ::

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:: 5.12.03 ::



:: Bá 4:29 PM [+] ::

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:: 4.12.03 ::


Qual é a cara do seu trabalho? É a sua? O que você faz é parte inerente do que você é, ou apenas preenche grande parte do seu dia?

Quantos desenhos são necessários para que cada desenho seja um desenho seu e não apenas mais um desenho qualquer?

Você é um (e único em sua individualidade) ou apenas mais um?
:: Fábio Moon 12:22 PM [+] ::

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:: 3.12.03 ::
Achei outro blog legal, chamado Blog de Desenho, de um tal de Rodrigo Rosa que eu nunca tinha ouvido falar antes. Muito legal!
:: Bá 12:05 PM [+] ::

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:: 2.12.03 ::
Hoje achei um site de um desenhista chamado Marcio Takara e até que gostei. Tem ilustrações, umas HQs, e o resto do portifólio dele. Vale a pena dar uma olhadinha.
:: Bá 4:49 PM [+] ::

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:: 1.12.03 ::
Do caderno de rascunhos



O problema de desenhar as pessoas sem que elas fiquem posando é justamente encontrá-las paradas. E a vantagem do caderno de rascunho é justamente a captura, através de linhas, das figuras em movimento.
:: Fábio Moon 6:20 PM [+] ::

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revista virtual

Saiu uma ilustra do Bá na revista virtual da AOL, a primeira revista inteiramente em pdf do Brasil (é o que dizem).
:: Fábio Moon 3:44 PM [+] ::

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Como dá pra perceber, nosso counter morreu e começou de novo, coisa de serviços gratuitos na internet. Não importa, pois continuamos aqui e, em breve, voltaremos às nossas 18 mil e poucas visitas.

Enquanto isso (que não deixa de ser uma bobagem besta de internet), voltemos aos Quadrinhos.
:: Bá 12:31 PM [+] ::

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