Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
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:: 31.3.04 ::

Nossos limites.



Até onde vai a nossa imaginação? Quanto nós podemos conceber e acreditar ser possível? Quais as opções que surgem em nossas mentes são realmente as mais extremas, ou nós só conseguimos chegar até ali, até aquele estágio do aceitável. Será que nós mesmos nos limitamos, nos podamos?

Eu ilustrei uma matéria da Revista AOL sobre a vida transviada da geração $, filhos de banqueiros e empresários, riquinhos, retardados, preconceituosos e inconseqüentes. Meu primeiro limite foi acreditar naquela matéria, pois é muito difícil crer que existam pessoas tão fúteis e superficiais que não seja numa visão estereotipada da novela das oito. Mesmo porque, eu não acredito em nada que eu leio em jornais e revistas ou vejo na TV. Não completamente, ao menos.

O segundo limite já não foi meu, mas da ilustração (acima), que foi barrada, pois era erótica demais. A matéria pode falar de tudo, mas o desenho não pode mostrar peito nem sexo. Coisas da profissão. Tive que fazer outro desenho (abaixo).


:: Bá 12:09 PM [+] ::

...
:: 26.3.04 ::
Nossa história manchada de sangue

Coisas da internet, vícios dessa curiosidade de um contato que, diferente do fanzine, não é físico, não é visual, quase não existe. Ainda assim, é real.

Passeando pelos bastidores da internet, vendo quem nos vê, de onde vem e o que existe do lado de lá, encontrei a mancha gráfica, uma coluna do Rafael Lima para o site Sobrecarga, onde ele fala sobre a produção de todos os 10 Pãezinhos, desde o começo do fanzine até as últimas publicações recentes.

É interessante descobrir, ainda mais por acaso, alguém falando de você e do seu trabalho.
:: Fábio Moon 1:21 AM [+] ::

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:: 25.3.04 ::
Duas semanas depois

Eu sempre digo que o mais interessante de se contar uma história é misturar o real e o fictício, o autobiográfico (enquanto sentimento ou experiências) com uma idéia possível de comportamento humano. Quando você lê uma história com elementos reais, até mesmo autobiográficos, você se surpreenderia em saber que os elementos que de fato você pensou serem baseados em experiências de vida são os que foram criados, e vice-versa. A realidade nos proporciona os fatos mais absurdos.

Ontem, aconteceu justamente isso. Do rádio do carro, vinha a notícia da missa que seria celebrada hoje (ou será que foi ontem), em Madrid, para os familiares das vítmas dos atentados de 11 de Março nos trens e estações da cidade espanhola. Dados sobre o acontecimento estavam sendo discutidos, polêmicas sobre como isso afeta a atual troca de governo espanhola, as visitas do primeiro ministro britânico e de outras autoridades internacionais, a objetividade jornalística de sempre.

E então, os números.

O governo espanhol, a partir da missa (ou a partir de hoje, ou de ontem, ou simplesmente a partir de agora) diminuiu a estimativa de mortos no atentado. Até agora, a estimativa era de 202 pessoas, mas foi reduzida para 190 pessoas, número de corpos identificados ou reclamados. Doze pessoas simplesmente deixarão de existir nas páginas da história do evento simplesmente porque ninguém as conhecia ou sabia que elas eram.

Esse é o tipo de realidade que é tão inacreditável quanto a ficção, que todo mundo lê no seu livro e te fala "de onde você tirou essa idéia maluca?".

Já a ficção em si, essa que vive dentro de mim, ficou imaginando qual quadrinhista espanhol (ou de qualquer outra nacionalidade, afinal o quadrinhista pode ser um solitário aprisionado no calabouço, mas também viaja), que não via a família ou falava com os amigos (será que tinha amigos?), pegou o trem naquela quinta-feira, carregando debaixo do braço um álbum de quadrinhos original, ainda em folhas recém terminadas guardadas dentro de uma pasta, para propor para uma grande editora que nem sabia que ele existia. Talvez fossem dois quadrinhistas, um deles o roteirista e o outro, o artista. Acho mais provável que fossem mesmo doze amigos, entre roteiristas, artistas e entusiastas da arte sequencial, discutindo a sorte que eles tinham de gostar de quadrinhos e o mundo de possibilidades que se abriria para eles uma vez que a obra prima dos quadrinhos que eles carregavam chegasse às mãos do público leitor.

Eles seguiram rindo alto, num dia estranhamente quente daquele início de março na capital espanhola.
:: Fábio Moon 3:54 PM [+] ::

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:: 22.3.04 ::

Editorial


Segunda, 22 de Março de 2004

Sempre digo que vou desenhar mais, que vou produzir mais páginas e que vou terminar mais rápido as histórias. Eu digo isso a todos na esperança de convencê-los e, sendo bem-sucedido com os outros, convencer a mim mesmo. Será que eles não vêem (e será que eu não vejo) que, se eu não desenho, a história não fica pronta? Será que é tão difícil de entender que para que a história fique de fato pronta, só depende de mim, e que se ela não está pronta ainda, só posso me responsabilizar por essa demora?

É tudo culpa minha. Eu não faço mais esforço para terminar a nova história. Não faço mais esforço para começar as outras histórias que já me esperam. Eu olho para frente e vejo as histórias prontas, mas tenho preguiça de seguir o árduo caminho que me separa do presente em que estou do futuro em que a história está, pronta e nas mãos dos leitores. Um amigo sempre me diz que "não existe atalho para trezentas páginas". Não existe história somente na cabeça do artista. Algumas histórias só funcionarão quando postas no papel. Outras, mesmo desenhadas, não farão sentido. Ainda assim, somente depois de terminadas é que serão o que devem ser. Somente aí, você poderá continuar trilhando o seu caminho. Se eu não terminei ainda, se eu estou trabalhando devagar, eu mesmo estou prejudicando a minha vida, que está parada num momento em que a visão do futuro parece tão agradável que eu esqueço de viver o presente. Sem o presente, o futuro nunca chegará e, desse modo, se tornará uma lembrança passada do que eu disse que quis mas não corri atrás.

Eu sou o responsável pela minha vida, pela minha produção, pelas minhas histórias. Não há mercado que determine o meu sucesso ou o meu fracasso, não há problemas grandes demais para me fazer desitir, não existe ninguém capaz de fazer o meu trabalho por mim. Só depende de mim. O que eu estou esperando para viver a minha vida?

Aliás, o que você está esperando para viver a sua?
:: Fábio Moon 9:07 AM [+] ::

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:: 20.3.04 ::
Fiz novas ilustrações para a Revista da AOL, em três matérias. Dêem uma olhadinha.
:: Bá 3:06 PM [+] ::

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:: 19.3.04 ::
Bésame Mucho

Estava linda.

O vestido, elegante, econômico nas linhas e delicado ao toque (o toque era quase uma necessidade), caía tão bem em suas curvas de bailarina que parecia ter sido feito especialmente para ela. Talvez tivesse sido mesmo, pensou, e pensou também que sabia que os dois tinham sido feitos um para o outro.

"Você está linda."

Ela sorriu. Toda menina tímida, quando reconhece o elogio do outro, sorri, é um mecanismo de auto-defesa altamente evoluído. E um charme, além de tudo. Tem algo mais charmoso do que menina tímida sorrindo (para você)?

Olharam-se por um momento. Sorrindo, quase soltando risadas histéricas, estavam felizes por estarem juntos. Ao seu redor, o mundo, mas quem liga para o mundo quando se está apaixonado? Para eles, o mundo daquele momento era composto de duas pessoas que se amavam, abraçadas numa dança silenciosa que somente eles podiam ouvir. Mágico é o momento em que você ouve a música da sua vida enquanto todo o resto do mundo te observa em silêncio.

O momento se extendia indefinidamente.
:: Fábio Moon 10:35 AM [+] ::

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:: 17.3.04 ::
De onde elas vem

Às vezes, ela aparece. Está sempre sorrindo, meiga, uma flor de menina mesmo, trazendo debaixo do braço sua pastinha. Essa pastinha, sempre a mesma, com a foto de seu gato albino na capa, nunca tem o mesmo conteúdo. Sempre que eu abro e folheio a pastinha, encontro novas imagens. Algumas parecem familiares, mas ainda assim são novas. Quem nunca se familiarizou com algo completamente estranho apenas por reflexo?

Momento de reflexão: será que mudo quando ela está por perto? Será que o mundo muda e eu o acompanho? Ou será apenas tudo fantasia minha?

"Eu demorei muito?", ela pergunta.

Digo que não com a cabeça, e ela sorri ainda mais. Eu sorrio também. Aposto que você também sorriria. Ela então abre a pastinha e arranca uma folha.

"Toma", ela me diz, estendendo o braço e me oferecendo a folha arrancada da pastinha. "Aqui está mais uma idéia."

Eu olho rapidamente para a folha, as imagens nela desenhadas, as palavras escritas. Tudo faz sentido e logo sei como devo continuar a minha história.

"De onde veio essa?" eu pergunto, sem levantar os olhos da folha de papel.

"Ele é o segurança do museu", ela começa."Fica o dia inteiro protegendo as obras, olhando para elas e garantindo que as pessoas façam também somente isso. Quando chega em casa, sonha com as pinturas."

Ela leva o dedo indicador à boca e faz beicinho.

"Ele dorme pesado, nem percebeu que eu passei por lá."

Eu sorrio satisfeito. Gesticulando com as mãos, eu a chamo para mais perto. Ela prefere ficar onde está. Não a culpo, o calabouço não é o lugar mais agradável do mundo, já da porta a gente sente aquele ventinho gelado que passeia por dentro do recinto (mas nunca o abandona). Eu extendo então a minha mão, que ela segura, e dou-lhe um beijo de obrigado. Beijo-lhe a mão, seus pervertidos.

Ela já está partindo quando eu pergunto:

"Quando a verei outra vez?"

Ela sorri, eu me perco em seu sorriso, e ela vai embora coma certeza que eu nem me lembro mais qual foi a pergunta que acabei de fazer.

Mas a idéia que ela me trouxe ainda está na minha mão e eu volto para a história que eu preciso contar.
:: Fábio Moon 9:25 AM [+] ::

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:: 16.3.04 ::
Saiba um pouco mais como foi a ComicFan Fest em Bauru lendo a matéria publicada na Central de Quadrinhos, escrita pelo Marcio Zanini.

Ele também promete colocar as entrevistas que fez com todos os convidaos no site. Agora é ficar esperando.
:: Bá 6:29 PM [+] ::

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Se jogando nos Quadrinhos.

Tenho que dar o braço a torcer para o pessoal da revista (nem chamei de zine) Mosh!, pois eles já lançaram três edições, sendo que a terceira ainda veio mais gordinha.

As histórias focam num gênero e num público específico, sempre tratando do universo meio underground e indie-rock, desta cena alternativa que existe na maioria das metrópoles do nosso Brasil cor de anil. Elas não são longas, mas conseguem passar as mensagens nas poucas páginas e ganham muito com o volume de trabalho que estão construindo já com três números da revista. É um grupo unido e enturmado e todas as histórias, por mais variadas que sejam, trabalham muito bem juntas.

Os desenhos melhoram a cada novo número, com destaque para o Sandro Meneses, Fabio Lyra, pelo estilo mais clean, e para o Fábio Mostro com seu Super Rock Ghost. Até o desenho tosquérrimo das histórias da "Saga de Marty Pheldman" funcionam. Mas todos os participantes estão no caminho certo e ainda têm um longo caminho pela frente e parece que eles vão mesmo percorrer.

Com vários anúncios mas sem estragar o visual da revista, eles conseguem lançar uma revistinha (tamanho A6, de bolso) com algumas páginas coloridas, coisa que a gente não gosta de fazer pra não correr atrás de patrocínio. O que é melhor, eles usam a possibilidade de cor para o bem, sem se corromperem e cagarem tudo que está indo tão bem.

Parabéns ao pessoal da revista Mosh!. ROCK N' ROLL!!!

Visitem o site www.revistamosh.com. Até domínio próprio eles arranjaram. É sério ou quer mais?
:: Bá 1:14 AM [+] ::

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:: 12.3.04 ::
Mataram mais um!

Alexandre Soares Silva já soa como nome de assassino serial, desses compostos. Nada mais natural, então, do que escrever um livro de assassinato, um "policial", como dizem os entendidos em gêneros de livro. Gênero, para mim, fica mais no "macho" e fêmea". E o novo livro do Alexandre, Morte e Vida Celestina, agrada a ambos.

O que eu gosto mais no jeito que o Alexandre escreve - que me lembra alguns escritores outros de quem eu gosto - é a sua capacidade de ser extremamente visual sem ficar detalhadamente explicando como tudo se parece e o que todos estão sentindo. Você lê tudo com a maior facilidade, aceita com a maior naturalidade e se maravilha de verdade a cada capítulo que termina. Termina o livro, então, e você fica com aquela vontade de quero mais.

Que espetáculo.

Agora, que graça tem falar de um livro tão gostoso sem fazer um desenho? Qual é a vantagem de ler um livro que fica, página após página, cutucando a sua criatividade, sem retrucar na mesma moeda? (Tá, mesma não, mas no desenho, pelo menos, eu me garanto)

Morte e Vida Celestina não é uma continuação de A coisa Não-Deus, mas se passa no mesmo bairro, por assim dizer, e é muito bom ler um livro depois do outro e tem a sensação de que você já conhece o lugar e está de volta, mesmo que somente de passagem. Fica uma sensação de familiaridade que chega a te fazer pensar ser possível que você seja também um personagem dessa história e que, a qualquer momento, possa aparecer na próxima virada de página.

Leiam o(s) livro(s), virem a página e vamos ver quem aparece.
:: Fábio Moon 5:24 PM [+] ::

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Passeando pelo Universo

Saiu no Universo HQ a notícia da nossa presença no lançamento da loja de quadrinhos Cubo Cósmico, em Campinas.
:: Fábio Moon 2:44 PM [+] ::

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:: 10.3.04 ::
Vejam o artigo que divulga a nossa presença no lançamento da Cubo Cósmico Comic Shop em Campinas, dia 13 de Março. Ele dá mais informações do evento.
:: Fábio Moon 5:35 PM [+] ::

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Saiu hoje na Folha, no caderno de Informática.

Autores brasileiros mostram seu trabalho, criam animações, contam histórias e montam publicações na internet

Quadrinhos ganham mais vida na rede



ALEXANDRE MATIAS
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Longe da crise que sempre assombrou o mercado editorial, os quadrinhos brasileiros encontraram na internet uma forte aliada. O que começou com um simples flerte curioso, com desenhistas e ilustradores criando sites que serviam de portfólio, hoje se torna uma alternativa para publicar revistas e manter o fluxo de criação, sem o fantasma do custo de produção à espreita na próxima esquina.
"O que a internet proporciona é facilidade e flexibilidade de publicação", diz Guilherme Caldas, da loja e editora curitibana Candyland (www.candyland.com.br). "Digo isso comparando com o circuito de fanzines, que foi durante muito tempo o grande laboratório de idéias e suportes nas HQs. Era tremendamente complicado, o cara tinha de montar o zine na base da cola, bancar xérox e mandar pelo correio. Com a internet, basta escanear o desenho, meter num blog e está publicado. Isso é que é o grande barato."
Amauri de Paula, editor do site especializado Quadrinho.com, diz que, "pela primeira vez, publicações nacionais podem dizer que atingiram mais de 10 mil leitores, via internet. São consumidores que, incentivados pelo custo quase nulo de ler uma revista on-line, acabam tomando conhecimento dos quadrinhos", completa.
Um exemplo é a editora Nona Arte, que lida com álbuns em PDF e histórias curtas em HTML. Segundo seu criador, André Diniz, alguns títulos já ultrapassaram os 25 mil downloads em cerca de um ano e meio no ar e já houve caso de uma edição ter mais de 3.000 downloads em um mês. "São números altíssimos se comparados ao número de leitores que as edições impressas atingem", diz.
"Acho que a mídia digital funciona como uma extensão do trabalho do cartunista", opina Newton Foot, que inaugurou seu site há pouco tempo. "Ela dá mais autonomia na divulgação do trabalho e torna mais acessível a realização de sonhos." O cartunista goiano Galvão descreve o próprio exemplo: "Criei o VidaBesta com o objetivo de ser apenas um portfólio digital, mas fui percebendo que seria muito mais legal se eu fizesse um site dinâmico. Transformei o site em uma revista, atualizada quase todos os dias. Atraiu muita gente e hoje acredito que tenho um público fiel".
A repercussão on-line, para Adão Iturrusgarai, "é sempre muito boa. Poucos ficam indignados ou ofendidos com alguma piada minha".
Alguns são mais resistentes ao formato on-line, como os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, do premiado fanzine "10 Pãezinhos". "Desde o início, nunca colocamos histórias no site, pois não acreditamos que a internet seja um bom veículo para a leitura de quadrinhos", diz Gabriel. "Usamos o site para divulgar nossos trabalhos e, a partir daí, quem se interessasse poderia ir atrás dos livros." Para o desenhista Falex, da Central do Rato, que traz HQs em Flash, os autores em geral ainda estão "tentando conciliar as mídias impressa e virtual".
Já Fábio Zimbres, da editora Tonto, que vende suas publicações -impressas- na rede, é mais cético: "A internet está ajudando a treinar alguns artistas, está aproximando desenhistas de todo o Brasil, mas não dá condições de vida para a maioria deles. Mas, de modo geral, é uma saída para qualquer um que queira se divulgar sem precisar pensar em retorno financeiro imediato. Para isso, não tem igual".
:: Bá 9:52 AM [+] ::

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:: 8.3.04 ::
Me vê um Bauru, por favor.

Na sexta feira saimos da chuvosa São Paulo para participar da ComicFan Fest, convenção de Quadrinhos que aconteceu na calorosa (e com isso quero dizer quente, muito quente) cidade de Bauru. Já a viagem foi uma história por si só, dentro de um micro-ônibus escolar, Sidney Gusman, Álvaro de Moya, Fernando Gansales, Octávio Cariello, Jotapê Martins, o Fábio e eu. Um mais falante do que o outro, cheios de causos dos Quadrinhos, cheios de teorias e idéais louquíssimas. Lá em Bauru já estavam Orlando, Maringoni, Gustavo Duarte e Junião, que haviam dado uma palestra sobre humor.

Chegamos por volta da meia-noite, mas só nos instalamos no hotel por volta das 3 horas da manhã, depois de um longo e demorado jantar. Dormimos todos, pois o Fábio e eu tínhamos um workshop sábado logo cedo. Acordamos todos para o café da manhã e já fomos para o Centro Cultural, local do evento. Lá chegando, vimos a exposição de originais - de original mesmo, somente as páginas que nós mandamos, o resto era tudo impressão ou xerox - vimos alguns gatos pigados aqui e acolá e ficamos parados, dando bandeira que não sabíamos para onde ir. Logo alguém da organização veio nos cumprimentar e nos levou até a sala aonde seria o workshop.

Nós demos um workshop de arte-final, para aproximadamente 20 pessoas, inscritas desde terça-feira, ávidas por conhecer mais desta complicada e importantíssima arte de finalizar o desenho para melhorar a leitura. Foi muito legal, era um grupo animado, sem medo de desenhar, mas com poucas perguntas, como sempre. Levamos várias páginas de exemplos, com trabalhos não só nossos, mas de vários artistas brasileiros, que têm diferentes estilos. Para eles, foi uma exclusiva chance de ver excelentes páginas inéditas do Superman, desenhadas pelo Ivan Reis e arte-finalizadas pelo Marcelo Campos.

Depois do workshop, que durou umas 3 horas, vendemos algumas revistas e nos juntamos ao resto do grupo pra almoçar numa churrascaria local. Encontramos o Papito, que havia acabado e chegar de Londrina, e fomos todos encher a pança.

É muito bom estar com tantos artistas juntos, cada um com o seu trabalho, suas diferenças, sua bagagem. Trocar informações e experiências é a melhor forma de crescer como artista.

Já de volta ao evento, agora lotado de jovens perambulando por todos os lados, jogando RPG nas mesas, lendo e conversando, nos sentamos numa mesa para rever o que íamos falar na nossa palestra. Conversamos um pouco com algumas pessoas que vinham com perguntas, revistas e dinheiro (pra comprar novas revistas) e entramos na palestra do Cariello e do Ivan. Apesar de não saber sobre o que era a palestra exatamente, foi muito interessante, considerando a vasta experiência que os dois têm trabalhando com Quadrinhos americanos, entre tantas coisas. É muito engraçado pensar que alguém que já desenhou a Turma da Mônica hoje está desenhando o Superman. Este é o tipo de determinação que está em falta no quadrinhista brasileiro, pois eles mostraram muito bem naquela palestra que não é fácil fazer quadrinhos, mas é ótimo.

Com quase uma hora de atraso, começamos a nossa palestra, uma árdua tarefa de seguir o Cariello e o Ivan, com aquela platéia a mil, cheia de informações sobre o maravilhoso mundo dos Comics, olhando para aqueles gêmeos que subiam ao palco pra falar do mundinho deles. Nossa palestra, entitulada "Contador de histórias, não de piadas", tratava justamente da limitação imposta tanto pelos autores quanto pelos leitores de que Quadrinhos no Brasil se resumem ao humor, ao escracho e às piadas nas tirinhas de jornal. Indagamos o que leva alguém a fazer HQ, se é o desenho ou a vontade de contar histórias, e decorremos sobre as infinitas possibilidades de gêneros, formatos e direções que podemos seguir quando fazemos uma hitória em quadrinhos. Para exemplificar, contamos um pouco da trajetória de cada uma de nossas histórias, sobre o que elas se tratavam e o que queríamos contar com cada uma delas.

Foi legal ter sempre o Ivan como contraponto ao nosso trabalho, pois ele é o exemplo do quadrinhista profissional, que acorda cedo e trabalha de 9 a 10 horas por dia, que tem que fazer 22 páginas todo mês, enquanto nós fazemos parte do orgulhoso gueto do quadrinho de autor, das histórias sérias, dos projetos longos, da distribuição mão-a-mão. É pra se pensar se não nos falta um pouco da sua dedicação e disciplina, não só pra nós mas para todos que querem se tornar Quadrinhistas profissionais.

Terminada a palestra, vendemos mais algumas revistas e assistimos um pouco à palestra dos editores, onde participavam Álvaro de Moya, Sidney Gusman, Jotapê Martins e Fernando Lopes. Este foi o terceiro estágio do mundo dos quadrinhos, o lado de lá, o que existe nos bastidores. Também muito interessante, mas a fome falou mais alto e fomos jantar.

Depois de um longo e satisfatório jatar com pizza e muita cerveja, fomos à festa do evento num bar, cheio de jovens falantes e dos convidados, todos animados e ébrios, confraternizando, fechando com chave de ouro a trajetória de um dia inteiro de muita conversa e muitas idéias para novas histórias.

Domingo começou no café da manhã e se arrastou ensolarado até as 18:30, quando entramos novamente na nossa perua escolar e voltamos pra São Paulo, nossa cidade, nossa vida, nossa casa.
:: Bá 11:02 AM [+] ::

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:: 5.3.04 ::
Um livro

Alguns livros são tão bons que você se sente bem de os ter lido. Sente que participou de algo glorioso e se tornou uma pessoa melhor por causa disso. Fica desejando ter participado mais, ter colaborado mais, ter sido tão importante para o livro quanto ele foi para você. Em 2000, eu li um livro assim chamado A Coisa Não-Deus, de um cara chamado Alexandre Soares Silva. E o irônico foi que o livro só chegou às minhas mãos porque fui contratado para fazer o projeto gráfico do livro. Mas eu só fiz o projeto gráfico porque o livro era bom. Muito bom.

Desses que você fica desejando ter participado mais, ter colaborado mais, ter sido tão importante para o livro quanto ele foi para você.

Eu fiz a capa, o projeto gráfico e várias ilustrações do livro. No final das contas, eu participei dele e, quem sabe, fui importante para ele como ele foi para mim.

Acabei de voltar do lançamento do novo livro do Alexandre, Morte e vida Celestina, e mal posso esperar para começar a leitura.


:: Fábio Moon 1:13 AM [+] ::

...
:: 4.3.04 ::
Nossa programação na ComicFan Fest em Bauru.

Amanhã vamos pra Bauru junto com a "delegação" de convidados de São Paulo, às 18:30h.

Como já foi anunciado, faremos um workshop de arte-final no sábado, às 10:30 da manhã, e daremos uma palestra entitulada "Contador de Histórias, não de piadas" também no sábado, às 18:30.

O evento terá muitos workshops e palestras interessantes, muitos convidados, exposições de originais, jogos e coisinhas pra quem gosta de RPG. Para conferir toda a programação, sigam este link.
:: Bá 2:22 PM [+] ::

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A Mágica - parte dois.

- "Meu Senhor homúnculo... - falou (claro que com outras palavras) - ... este jardim é meu?" E o figurim respondeu: - "Não. O seu virá, quando amar."
Guimarães Rosa


O tom mágico e a elasticidade da língua portuguesa usada nos textos de Guimarães Rosa são um sem fim de inspirações para quem quer contar uma história. No ano 2000, caiu como uma luva pra nós e nossa mágica história de amor.

- "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!"

Talvez o maior escritor brasileiro, Guimarães Rosa conseguia contar a história das pessoas mais simples, no menor canto do lugar mais perdido do interior do nosso grande Brasil de uma forma grandiosa, usando não de ousadas e mirabolantes tramas, mas da nossa rica e fantástica língua e, com ela, embelezando e intrincando a narrativa, preenchendo os personagens no imaginário de cada leitor. Os personagens de suas histórias vivem e respiram, são tridimensionais e você pode topar com eles a qualquer momento andando na rua. Você os conhece bem quando está lendo os contos e romances de Guimarães Rosa.

" ... Dois seres, trazidos todo o modo a um bosque, descobrem que, imemorialmente, se amam. Mas o irromper do amor coincide com a necessária separação."

Toda história é uma viagem, uma tragetória pra quem faz e outra pra quem lê. Uma hora, no entanto, esta viagem acaba e a vida continua. No início de 2001, terminamos de contar nossa história, terminamos a mágica. As cortinas se fecharam.

Porém, os caminhos continuam sempre lá e podemos sempre revisitar aqueles lugares, aqueles personagens.
:: Bá 11:47 AM [+] ::

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:: 3.3.04 ::
A Mágica - parte um.

Tudo é simples, lindo e encantado quando se é criança e está apaixonado.

"Começa uma nova era na nossa vida conjunta, na nossa experiência semanal de leitura e deleite. Colocamos para nós mesmos o desafio de criar e produzir uma saga em dez partes, onde cada parte seja igualmente interessante e mágica e que preencha a temporalidade da nossa existência por um curto, mas intenso, período de tempo. Colocamos para nós mesmos o desafio de criar uma história que não fale do mundo como ele é, mas como o vemos quando crianças, onde tudo é monumentalmente grande, infinito e eterno, onde as coisas da vida são muito mais simples e leves."

Este era o primeiro parágrafo do editorial do 10 Pãezinhos 31 em 25 de Setembro do ano 2000, ano este muito importante para todas as grandes mudanças que aconteceriam nas nossas vidas. Estávamos trabalhando sem parar e havíamos voltado a fazer o fanzine naquele ano, estávamos novamente num rítmo criativo intenso e a vontade de contar uma história grande nos assolava uma vez mais.

Existem histórias que já nascem querendo crescer. Elas não cabem em 4 ou 8 páginas de um único fanzine, elas precisam de tempo pra serem entendidas e espaço pra serem contadas. Todos nós temos histórias, guardadas lá dentro, esperando sua hora.

Eu tinha uma história dentro de mim e, no dia 25 de Setembro do ano 2000, ela começou a ser contada.
:: Bá 4:05 PM [+] ::

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:: 2.3.04 ::

IMPORTANTE!



Os Loucos perguntam:

Vocês estão tendo problemas pra visualizar nosso Blog?

Por favor comentem mesmo que esteja tudo bem. Se possível, digam se usam Mac ou PC e o navegador que usam. Quanto mais relatos, melhor será para a manutenção e possível remendo dos problemas.

PS: Se ninguém estiver tendo problemas, gritem:O CARA É DEZ! O CARA É DEZ!
:: Bá 9:57 PM [+] ::

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:: 1.3.04 ::
Pra quem gosta de Mangá e Animê, saiu hoje no Balão.

BALÃO



Por quê?!

DIEGO ASSIS
DA REPORTAGEM LOCAL


Por que as pessoas gostam tanto de animê? Por que a revista "Transformers" ficou tanto tempo entre as mais vendidas nos Estados Unidos à frente de "Super-Homem", "Capitão América" e outros tantos sinônimos de quadrinhos na terra do Tio Sam? Por que a Marvel -até a Marvel- resolveu apelar para o universo mangá para não perder mercado? Por que tem tanta gente consumindo e produzindo mangá e animê no Brasil?
Por que as pessoas gostam tanto de robôs gigantes, de preferência formados por robôs menores que se conectam no último segundo para derrotar o monstro malvado? Por que eu passei boa parte da minha infância vendo coisas como "Ultraman", "Jaspion" e "Changemen" na TV, e depois correndo para os meus brinquedinhos de plástico baseados nos mesmos "Transformers"? Por quê?
Por que gosto até hoje de histórias envolvendo ciborgues, metrópoles futuristas e heróis de cabelos coloridos? Por que continuo revendo "Akira", "Ghost in the Shell" e "Animatrix" e nunca canso?
Por que o Linkin" Park botou na capa do disco "Reanimation" (2002) um maldito robô japonês? Por quê?
Essas e outras perguntas quem vai responder é o mestre Tomino Yoshiyuki, ex-discípulo de Osamu Tezuka e criador da série cult "Gundam", que dá palestras no Rio hoje (tel. 0/xx/21/2240-2383) e em São Paulo amanhã e quarta (tel. 0/xx/11/ 3141-0110). Leve a sua lista de por quês.
:: Bá 2:20 PM [+] ::

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