Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
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:: 26.4.04 ::

O que as imagens me disseram


O começo é quase sempre o mesmo: a folha em branco. É a partir do branco, do nada, que a sua história será contada, mas você precisa encontrar a porta de entrada nesse vazio hermético de uma folha em branco para dar o primeiro passo. Você não sabe se a história que você tem na cabeça será a mesma que conseguirá colocar no papel, mas somente mergulhando na tarefa de contar a sua história você encontrará a resposta.


Mais do que somente retratar a realidade, você deve criar realidades com as imagens e palavras que usa, pois a realidade do escritor é aquela que ele inventa, aquela que traduz com mais propriedade a realidade em que vivemos por ser, na sua irrealidade, a soma de todas as realidades ao mesmo tempo.

Mais do que um retrato da imagem do real, estamos buscando retratar a alma.


E então você conta a sua história. Consegue terminar o seu primeiro épico de oito páginas. Orgulhoso, você se senta e espera pelos louros e pelas milionárias ofertas de trabalho. Será que elas virão?

Ainda não.

Só existe um jeito de aprender a fazer quadrinhos: FAZENDO QUADRINHOS! Somente desenhando histórias você descobre em que você triunfa e em que você falha. E ninguém vai querer publicar (ou mesmo ler) o seu trabalho a menos que você saiba isso, então o jeito é começar a produzir sozinho. Faça o seu fanzine, desenhe a sua história, mostre para os seus amigos, para a sua família, para pessoas que lhe dirão realmente o que elas acharam do seu trabalho, sem ranços do fanáticos por HQ que ficarão pensando "por que ele não desenha como o desenhista do Batman?" O fanzine é a melhor escola para aprender a contar as suas próprias histórias.

E agora? Por que ninguém me contratou ainda?

Você quer fazer quadrinhos. Você faz um fanzine para descobrir sua "voz", para contar suas próprias histórias. Em fazendo isso, você se torna um artista. Se você quer contar suas próprias histórias, você precisa se tornar um artista, sua voz individual e sua opinião individual, estarão em tudo o que fizer, mas isso não é suficiente para que você conte as histórias de outras pessoas. Para ser contratado para contar as histórias dos outros (e ser pago para isso), você deve se tornar um profissional.

Ser um quadrinhista profissional é a parte mais difícil, é a base de todos os trabalhos: você tem que acordar, ir até o trabalho, sentar na prancheta e trabalhar até terminar o serviço. Toda a hora. Todos os dias. Não existe crise existencial para o profissional, não existe desculpa para o atraso, não existe ninguém, a não ser você mesmo, para fazer o seu próprio trabalho. Só depende de você, então senta e desenha, porra!


Para onde vai essa história toda? Não sei, é a história da minha vida, ainda estou vivendo e não sei como termina. Mas toda boa história é igual, ao menos em alguns sentidos. Não importa muito como a história termina. Não enquanto o fim não chega. Enquanto o fim não chega, o leitor precisa ficar curioso, ficar entretido, precisa se importar com o que está acontecendo e precisa, acima de tudo, querer saber o que acontece a seguir. Na boa história, o leitor precisa querer continuar lendo.

Eu não sei como a minha história acaba, mas quero continuar lendo.

:: Fábio Moon 2:59 PM [+] ::

...
:: 23.4.04 ::


Mais informações, aqui.
:: Bá 7:57 PM [+] ::

...
:: 22.4.04 ::

URSULA.



A Diamond, distribuidora de Quadrinhos nos EUA, publica um catálogo com todos os lançamentos do mês, chamado Previews, aonde as lojas de Quadrinhos podem se informar e pedir as revistas que vão querer. A partir destes pedidos, as editoras mandam imprimir suas revistas e mandam pra Diamond, que distribui para as lojas.

Agora em Maio, saiu o catálogo das revistas que serão lançadas em Julho. Neste mês, uma coisa curiosa apareceu:

AIT/PLANETLAR
PAGE 217
_MAY04 2205 URSULA GN $9.95
.

O que isso pode significar?

Bom, em Julho de 2004 daremos mais um passo no caminho de tijolos amarelos dos Quadrinhos internacionais. Será lançada pela Ait/PlanetLar uma Graphic Novel chamada URSULA, a versão em inglês da nossa querida história "Meu Coração, Não Sei Por Que."

Agora que as lojas já sabem e já estão fazendo pedidos, podemos também contar para os leitores, e pra todo mundo que quiser ouvir. Quando tivermos imagens e informções, como a capa, número de pedidos e coisas assim, claro que colocaremos aqui.


:: Bá 5:44 PM [+] ::

...
:: 19.4.04 ::
Estamos no meio (ou início) de uma história, como vocês bem já sabem. Uma história sobre a vida, seus altos e baixos, seus momentos de dúvida. Mesmo assim, nunca devemos ficar parados e, dito isso, estamos já pensando em outra história.

Na verdade, meio que já pensei nela. Foi ótimo, ótimo como sempre é quando uma idéia surge na sua cabeça e logo vai se unindo a outra e criando uma história que vocês mesmo não consegue parar de ler, mesmo que ainda em sua mente.

Esta história é um projeto diferente, maior em ousadia do que todos os outros que já criamos. É uma história pra unir o passado, o presente e o futuro das nossas Histórias em Quadrinhos. É uma história que escapará do calabouço e voará alto.

Não há palavras pra descrever esta história.
:: Bá 9:45 PM [+] ::

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:: 16.4.04 ::
Fatos

Todo mundo sabe que a vida do quadrinhista brasileiro não é fácil. Todo mundo sabe que, publicando no Brasil, não dá para viver de quadrinhos. Depois de um tempo, depois de se familiarizar com os pormenores da indústria de quadrinhos, você chega até a descobrir que, trabalhando para o exterior, você poderá ganhar dinheiro fazendo quadrinhos, e até quem sabe poderá fazer apenas isso, apenas desenhar, e apenas desenhar quadrinhos.

E aí? O que você está esperando?

Publicar quadrinhos no exterior soluciona um problema, que é o dinheiro, mas cria outro, que é a distância entre o trabalho e a minha realidade. Minha realidade é aqui, meus leitores estão aqui. Mesmo sabendo que eu ganharia novos leitores (e eu espero mesmo ganhar esses novos viciados em pãezinhos) nas publicações estrangeiras, eu não quero abandonar o público brasileiro. De que adianta fazer um trabalho se ninguém vai ver? Ou agora, para poder acompanhar o novo gibi, todo mundo vai ter de aprender inglês, francês e japonês? Espanhol também, mas todo mundo já mente e fala que entende, né?

O que você quer então, mané?

Com calma, espero poder fazer as duas coisas. Ou as "mais de duas" coisas, pois quero fazer muita coisa ainda. Estamos aqui na padaria batalhando uma chance de publicar trabalhos já publicados no Brasil em outros países. A partir daí, as chances de publicar material novo no exterior tenderá a crescer e, quem sabe, a publicação no exterior já garanta um dinheiro que me deixe mais tranquilo para publicar esse material também no Brasil sem me preocupar com o retorno imediato por aqui. É a clássica teoria da soma das partes. Publicando o mesmo material em vários lugares, você trabalha uma vez só e recebe várias, todas elas pequenas individualmente, mas grandes quando reunidas.

Sonhos

Eu sonho com muitos pãezinhos. Todo mundo deveria poder ler 10 Pãezinhos, mesmo que uma só vez, para descobrir se gosta ou não. Se gostasse, saberia que era só ir à livraria e comprar outro, pois eles vem em montes. Quando acabar, não se desespere. A fornalha da padaria já está preparando uma nova leva.
:: Fábio Moon 4:52 PM [+] ::

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:: 13.4.04 ::
Francamente

Esse é o meu relato de fã. Se, enquanto eu só conhecia o seu trabalho em Novos X-Men, eu já achava o Frank Quitely um grande artista, depois que vi o que ele fez em Noites Sem Fim ele se tornou um deus. Exagero? Talvez, mas o trabalho dele não pode mais ser ignorado.

No novo álbum do Sandman, a sua história (a do Destino) é, de longe, a mais linda. Seu desenho é como um poema, lírico, em meio a um multidão carregada de palavras amontoadas. Além de muito bem pintadas, as páginas são maiores do que o espaço que lhes é reservado no livro, nos transportando para um mundo sem fronteiras (os quadros são predominantemente vazados, tornando o vazio parte do conteúdo pictórico), sem começo, sem meio, sem fim. Ela (a sua arte) traz o que de melhor há nos quadrinhos e, depois dela, ninguém mais poderá ignorar o seu trabalho.

E agora? Enquanto esperamos seu próximo projeto, sem saber quando e o que esperar dessa nova empreitada, aproveitando os últimos números das edições brasileiras dos X-Men de que ele participa, ficamos apenas apreciando as novas capas que ele faz. Capas pintadas, vale lembrar, pois em time que está ganhando não se mexe. Só espero que ele não se transforme no próximo Travis Charest, produzindo uma página incrível por ano e nada mais.
:: Fábio Moon 7:02 PM [+] ::

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:: 12.4.04 ::
A dura realidade

Saber que o Autobiographix foi indicado para o prêmio Eisner de melhor antologia nos deixou orgulhosos. Vibramos pela nossa pequena, mas essencial, colaboração no livro. Agora é esperar e torcer.

Ao menos para mim, a qualidade do álbum é clara, foi um ótimo lançamento e as histórias são boas, além de reunir um grupo de autores consagrados e deixá-los criar a partir somente de um tema comum: histórias autobiográficas. Entretanto, ao receber a lista completa dos indicados, sinto aquele frio subindo a espinha.

Segue a maldita:

Best Anthology (melhor antologia)
-AutobioGraphix, editado por Diana Schutz (Dark Horse)
-The Dark Horse Book of Hauntings, editado por Scott Allie (Dark Horse)
-Drawn & Quarterly 5, editado por Chris Oliveros (Drawn & Quarterly)
-Little Lit: It Was a Dark and Silly Night, editado por Art spiegelman e Francoise Mouly (HarperCollins)
-Project: Telstar, editado por Chris Pitzer (AdHouse)
-The Sandman: Endless Nights (Sandman: Noites Sem Fim), por Neil Gaiman, Dave McKean, P. Craig Russell, Miguelanxo Prado, Barron Storey, Frank Quitely, Glenn Fabry, Milo Manara, e Bill Sienkiewicz; co-editado por Karen Berger e Shelly Bond (Vertigo/DC)

Como esperar ganhar numa categoria onde Sandman está concorrendo? Depois de anos, outro livro do Sandman é lançado, aclamado pela crítica, vende horrores, e é indicado na mesma categoria. O melhor é pular pela janela agora.

Será?

Ser indicado juntamente com todos esses lançamentos só aumenta o mérito do álbum, só nos deixa mais orgulhosos, mesmo sabendo que será difícil (não impossível) levar o troféu.

Eu não acho que Noites Sem fim é o melhor livro do Sandman, nem a melhor antologia do ano. Acho que suas maiores qualidades estão claramente ilustradas nas outras categorias em que ele está concorrendo (melhor história curta para a história da Morte, e melhor pintor para o Mixelangelo Prado e para o Frank Quitely), mas ainda assim é o favorito.

Quando o prêmio for anunciado, saberemos. Até lá, só nos resta sonhar.

Que ironia.
:: Fábio Moon 1:13 PM [+] ::

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:: 11.4.04 ::
Linda e vazia

Durante as últimas horas da madrugada, a cidade parece completamente abandonada. Vazia, suas ruas livres para que o nascer do Sol pareça o espetáculo que é, mesmo em meio aos prédios (talvez até mais em meio ao prédios).

Linda e vazia.

Se você se torna um artista de histórias em Quadrinhos, deve tomar cuidado para que sua história também não se torne linda e vazia. O Desenho é importante, é muito bom desenhar e uma página maravilhosa, seguida de outras igualmente deslumbrantes, mas sozinhas essa arte não traz o conteúdo que dará a vida para a sua revista. A história traz a vida para os personagens, mesmo que a história seja muda. Uma história muda é feita de silêncios, de acontecimentos e da observação do tempo que passa, e não somente da sequência de cenas bonitas. A palavra, assim como a imagem, é um signo, um elemento que pode ser usado para contar a história. Sem história, são apenas signos perdidos no espaço.

Perdidos no meio da avenida, vazia, sem carros, sem pessoas, todos os sinais abertos e ninguém vai a lugar algum.
:: Fábio Moon 2:55 PM [+] ::

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:: 8.4.04 ::
Eisner Awards!

Hoje recebemos um e-mail da Diana Schutz e, como sempre, ficamos super empolgados. O título do e-mail já dizia tudo, pois ela escreveu pra contar que o Autobiographix foi indicado para best anthology no Eisner Awards deste ano.

O resultado da premiação, como sempre, será revelado na cerimônia em San Diego, durante a Comicon, dia 23 de Julho.

Se estar envolvido num projeto junto com o Frank Miller e o Will Eisner já era super emocionante, será que ter uma história num livro que ganhou um Eisner Awards vai realmente fazer alguma diferença? Será que receber prêmios faz com que as pessoas olhem pra você (e por seu trabalho) de forma diferente?

Se o livro receber o prêmio, qual será o nosso mérito?

Breve saberemos.
:: Bá 11:44 AM [+] ::

...
:: 7.4.04 ::
Flagra

foto por Orlando Pedroso


:: Fábio Moon 10:51 AM [+] ::

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:: 6.4.04 ::
A arte Sequencial

As pessoas chamam as histórias em quadrinhos de arte sequencial. De fato, as imagens, quando colocadas numa ordem, quando vistas como um caminho a ser seguido, imagem por imagem, adquirem um significado maior do que aquele que teriam sozinhas. Talvez não maior, mas diferente. A discussão da virada do século XIX para o vinte na produção artística da Europa, de como representar, numa única imagem, o tempo que passa enquanto ela é feita, discussão que foi um dos motes do cubismo, volta em sua mais simples encarnação nas histórias em quadrinhos. A sequência de imagens nos possibilita testemunhar o passar do tempo.

Nesse sentido, colocar imagens no nosso fotolog tem sido uma ótima maneira de demonstrar o sentido das imagens em sequência. Juntas, as imagens dialogam entre si, e esse todo novo criado pela soma das imagens dialoga com o leitor.

Acabamos a série de capas do fanzine 10 Pãezinhos onde publicamos pela primeira vez a história "Meu Coração, Não Sei Por Que.", discutindo o processo de criação por trás de cada capa, de como manter o leitor intrigado a cada nova imagem e como não se repetir ( a menos que seja proposital). Muita gente não viu o fanzine, só veio conhecer a história quando ela já era um livro, tornando esse passeio pelas capas uma verdadeira viagem no tempo, uma discussão do agora com imagens do que já passou.

Novas imagens estão sendo produzidas, uma nova história vai tomando forma e a sequência de imagens tem de continuar.
:: Fábio Moon 6:49 PM [+] ::

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:: 2.4.04 ::
Liberdades

Enquanto leio mais um capítulo do roteiro que estou desenhando, vou fazendo uns rabisquinhos no canto do papel, ao lado das falas, para já começar a exercitar as imagens que quero colocar em cada página. Ao continuar lendo , faço uns rabiscos entre as frases para determinar onde terminam os quadrinhos, os balões, as recordatórias ou mesmo as páginas, pois o roteiro que estou lendo não diz quantas páginas eu tenho que desenhar. Eu tenho toda a liberdade do mundo para definir quantas páginas serão necessárias para compor esse capítulo da história.

Nem todo roteiro é assim. E essa liberdade nem sempre é boa. Em alguns momentos, a falta de direção visual em um roteiro pode deixar o artista confuso e perdido. É muito fácil ir aos dois extremos: o artista tende a desenhar páginas com pouquíssimos quadrinhos e colocar muitos balões e recordatórias empilhados num mesmo quadrinho, ou ele pega cada frase de diálogo e transforma em um quadrinho, praticamente fazendo um desenho animado, uma sequência interminável de quadros predominantemente iguais para cada batida do texto.

Tentemos encontrar o ponto de equilíbrio.

Esse tipo de roteiro, mais aberto, possibilita ao artista deixar que sua história "respire", incluindo cenas silenciosas, extendendo uma cena em várias páginas de quadros grandes (ou mesmo alguns pequenos, mostrando detalhes), criando um ritmo. O mais importante numa história em quadrinhos é o ritmo de leitura, quanto tempo o leitor passa de página em página, de momento em momento, até quando ele se emociona com alguma coisa e fica lá, imóvel, admirando aquele diálogo breve, dito no meio de uma tarde florida, ao lado de uma fonte que não mais funciona, só decora o parque.
:: Fábio Moon 6:36 PM [+] ::

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:: 1.4.04 ::
A grande idéia

Hoje eu tive uma grande idéia. Talvez a mais fantástica até agora, grandiosa em sua originalidade. Originalidade, aliás, é uma necessidade para um mercado onde tudo parece igual (até eu tenho um irmão gêmeo igual a mim). Mas vamos à idéia.

"Quando você pensou nisso?", foi o que o Bá perguntou.

"Hoje", respondi.

Nem consegui esperar até a hora do almoço, contei logo pela manhã. Entusiasmados os dois, partimos para a prancheta e ainda antes do meio dia cada um já tinha uma página à lápis. Para um dia que não começa ao raiar do dia e que demorar para engrenar, esse ritmo parecia alucinado. Mas idéias geniais resultam em ritmos alucinados de produção.

Ainda não contei a minha idéia. Mas já digo. Digo também que minha mãe gostou muito. E olha que a minha mãe é o nosso referencial do que um leitor de quadrinhos vai gostar. Afinal, quantas mães você conhece que lêem X-Men, adoram o Wolverine e o Justiceiro, e que acham o Scott Summers um banana? Então, parece natural que, sendo a idéia simplesmente genial, o público-alvo, o típico leitor de quadrinhos, representado dentro do antro familiar na figura da minha mãe, goste.

E o que vocês mais gostam, leitores? De super-herói? A idéia involve um super-herói. Um dos grandes, aliás. Famoso. Até quem não lê quadrinhos conhece esse aí.

Talvez você gostem de histórias com bastante ação, sangue e morte. Explosões? Eu adoro explosões, e todas essas outras coisas que acabei de dizer, então eu particularmente só acho geniais as minhas idéias que tem todos esses elementos.

Romance? Acho que até os super-heróis, no meio de todas as explosões, também pensam em romance, também acham aquela garota uma gostosa e também pensam e amor, sexo e como colocar tudo isso em prática.

Deu a hora do almoço. Subtraindo duas horas, parecia razoável ligar para New York, falar com aquele editor que a gente conhece na DC, propor a nossa idéia. É muito estranho como, embora eu leia predominantemente gibis da Marvel, as oportunidades de trabalho (e as idéias geniais) tenham mais relação com a DC, mas essa é a realidade e, na realidade, dos poucos heróis que queremos desenhar, o mais legal mesmo é esse que vocês estão pensando. Estão? Eu estou. A minha idéia é com ele.

O editor atende o telefone. Parece estranho, eu sempre achei que era conversinha para afastar os artistas que ficam se agarrando nas suas pernas enquanto ele anda, mas se esse editor te der o seu cartão e você ligar para ele, ele atende. Conversamos um pouco e eu lhe disse a minha idéia. Ele ficou intrigado. Quis saber mais. Contei mais. Passei a manhã inteira pensando nos pontos de tensão, nas cenas de ação, nas explosões, tinha tudo isso já esquadrinhado. Ele pediu um desenho, falei que tínhamos feito dois, um cada um, e que já tínhamos mandado um e-mail. Ele viu, gostou bastante do desenho do Bá, e falou:

"Escreva o roteiro. Se ficar tão bom quanto a idéia, tão dinâmico quanto esse desenho, a gente publica no final do ano."

Uau.

Agradeci, meio bobo, desliguei e contei tudo para o Bá. Agora, os dois bobos, era hora de cair na real e realmente perceber o que acabara de acontecer, a explosão (em si, uma maravilha, pois melhor que explosão para ler no gibi é a explosão que você vive na vida real) que mudou nossa vida de uma hora para outra. É agora. Não dá mais para segurar, explode colação. Desenhar quadrinhos é ótimo, quando é para desenhar super-heróis, é melhor ainda, é super. Chegou a hora de levar o trabalho mais a sério do que nunca, mergulhar no sonho e gritar bem alto:

"Primeiro de Abril!"
:: Fábio Moon 6:06 PM [+] ::

...

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