Novo BLOG dos criadores dos 10 Pãezinhos. Muitas conversas e idéias sobre HQ, a arte e a vida.
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:: 28.9.04 ::

Grandes mudanças.



Estamos fazendo um zilhão de coisas e outras mais estão aparecendo. Isso não é uma reclamação.

Até o fim da semana terminaremos o livro novo, CRÍTICA, e daí é só mandar pra gráfica. Bem, aí começa a parte de divulgação, promoção, um monte de outras coisas que a gente faz pra acrescentar mais personalidade aos nossos trabalhos.

Tudo por aqui vai mudar muito nos próximos meses. Esperamos que seja pra melhor.

Aproveitando o espaço, ficou pronto o site São Paulo 450 em Quadrinhos, elaborado por Gabriel César. Não deixem de visitá-lo.
:: Bá 4:51 PM [+] ::

...
:: 23.9.04 ::
O escritor

Escritor de quadrinhos, ou aquele que deseja se tornar um escritor, não pode culpar a falta de desenhista como motivo dele não estar fazendo nada. Isso não é motivo, é desculpa.

Em primeiro lugar, não há falta de desenhista. Procurem na internet, nos forums, nas listas de discussão, procurem nos encontros de quadrinhos e nas escolas de quadrinhos, procurem em qualquer lugar que vocês vão encontrar alguém que quer desenhar quadrinhos mas não tem uma boa idéia (ou que, mesmo se tiver alguma idéia, gosta o bastante da sua para desenhá-la). Talvez esse desenhista não seja o melhor do mundo, mas até aí você também não é nenhum Guimarães Rosa.

Em segundo lugar, saiba o seu lugar. Saiba crescer com o seu trabalho, saiba que você precisa, assim como o desenhista, encontrar o seu estilo próprio, sua voz, e ela só surge ESCREVENDO. Você vai precisar escrever muito até que tudo o que você escreva tenha a sua voz.

Digo mais, você vai escrever muita coisa ruim pois, também como o desenhista, você precisa treinar, tentar e errar muito antes de acertar.

Ainda no lugar do escritor, saiba que o básico é o mais importante. A história vem em primeiro lugar e a sua primeira preocupação deve ser contar a história de um modo que o leitor a entenda. Para isso, você deve levar em conta o desenho. Se você tem um desenhista ruim, ou se você mesmo a desenha ( e você é o seu próprio desenhista ruim), você precisa garantir que os diálogos, a simples passagem de um quadrinho para o outro, a virada das páginas e aqueles rabiscos que você chama de personagens, tudo isso junto conte a sua história. Não dá pra culpar um desenho ruim pelo fracasso da história ou pelo desinteresse dos leitores. A história deve funcionar independente da qualidade do desenho. Esse é o seu papel como escritor.

Você precisa ler muito. Muito livro, não só gibi. Precisa fazer pesquisa e precisa correr atrás de referências, precisa saber como se escreve cada gênero, que já foi escrito e como foi escrito. Para escrever, além de escrever muito, você precisa ler constantemente.

Você lê quadrinhos? De super-heróis? Então você deve conhecer o Brian Bendis, atual escritor do Demolidor e da versão Ultimate do Homem-Aranha.

Então, o Bendis queria ser quadrinhista. Desenhou muito gibi antes de virar escritor. Quais gibis? Os dele, pois queria escrever mas não conhecia ninguém para desenhá-los. Resolveu fazer tudo sozinho. Ele sabe desenhar? Acho que ele se esforça, quando quer ee usa bastante referência fotográfica e consegue criar uma arte que, acima de tudo, conta a sua história. Mas, em alguns casos, quando ele tinha que partir para desenhar sem referência, o traço dele não era bom o suficiente para se tornar um desenhista de super-heróis, mas era bom o suficiente para contar suas próprias histórias. Suas histórias, bem contadas, chamaram a atenção da Marvel, que acabou por contratá-lo. Hoje, ele é o escritor de quase metade dos títulos da editora.

Essa semana, ele escreveu e desenhou uma tira para o New York Times. Aqui vai um exemplo do seu traço. Clique na imagem se quiser ler a história inteira.



Qual o tipo de história que ele contava com esse desenho? Justamente o tipo de história que não se apoia tanto no desenho, mas que é carregada pelos diálogos.

Primeiro, você precisa contar histórias com as ferramentas que tem na mão, para depois usar outras (e maiores) ferramentas.
:: Fábio Moon 8:57 PM [+] ::

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:: 20.9.04 ::
SOZINHA

Sozinha, ela sai de casa.
Sozinha, ela mergulha na multidão.
Sozinha, ela percebe que perdeu sua vida vivendo a vida de outras pessoas.
Sozinha, ela percebe que está perdida, fecha os olhos lentamente,
E chora.
:: Fábio Moon 8:04 PM [+] ::

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:: 16.9.04 ::

Palestra com Kako e Bruno D´Angelo na Quanta




Como conseguir a medalha de ouro nas 100 páginas com  barreiras.
Dia 24 de setembro, a partir das 19:30h, na Unidade I da Quanta Academia de Artes. ENTRADA FRANCA.



O que acontece diante de um projeto com mais de 100 páginas?
Por onde começar? Como passar o quebra-onda da metade? Quando você sabe que acabou? E depois? Férias? Descanso merecido? Ou encarar 300 páginas?


Respostas para estas questões, e muito mais, na Palestra de Bruno D'Angelo (Prey, Lord Takeyama e Rock'n'Roll) e Kako (Rock'n'Roll) autores de Horns of Hattin, da editora americana TERRA MAJOR, lançado em San Diego e escrito por Shane L. Amaya (Roland, Prey e Lord Takeyama).

QUANTA ACADEMIA DE ARTES ? Unidade I

Rua Minas Gerais, 27 (próxima ao metrô Consolação)
Higienópolis, São Paulo, SP, 01244-011
(0XX11) 3214-0553
quantaonline@terra.com.br
www.quantaacademia.com
:: Bá 5:34 PM [+] ::

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:: 12.9.04 ::

Datas.



O tempo não pára e nós não dormimos quase nunca. Nos últimos dias, entramos num rítmo de trabalho frenético e enlouquecido por causa de um freela que nós fizemos. Foi ótimo, trabalhamos com gente muito competente e talentosa, que só acrescenta ao nosso trabalho. O mais legal foi que esse foi o primeiro trabalho que nos chamaram "porque o estilo combina com o traço de vocês e vocês são os caras certos pra ele". Foi ótimo mesmo, muito diferente de outros trabalhos simplesmente de ilustração. Viramos várias noites trabalhando, perdemos nosso feriado na praia (como já avisamos antes, quem quer fazer Quadrinhos não tem feriado, fim de semana, todos dias são iguais), bebemos e ouvimos muita música de madrugada. Foi um tempo diferente.

Ainda sobre o tempo, a produção e a alegria de fazer um bom trabalho, essa semana conversamos com a editora e finalmente marcamos uma data. Data pra quê?

Novo álbum dos 10 Pãezinhos na segunda semana de Novembro.



Todas as histórias que nós sempre mencionamos aqui que estão prontas e que nunca ninguém viu serão reunidas de uma vez por todas, na nossa nova empreitada por esse difícil e maravilhoso mundo dos Quadrinhos Nacionais. Histórias pra todos os gostos, feitas de 2002 até 2004, com muito romance, muita filosofia, personagens conhecidos e nossa dose de crítica, sempre presente aqui neste blog.

Estamos terminando de montar o projeto gráfico do álbum, que deve entrar na gráfica no início de Outubro. Eu sei que vocês esperaram muito por isso, pois eu espero desde 2001, quando lançamos o "Meu Coração, Não Sei Por Que". Nossas revistas independentes foram ótimas pra manter a chama das nossas histórias acesa, mas nada como um álbum novo pra incendiar tudo.

Fazer Quadrinhos é difícil, mas possível. Se a gente conseguir passar isso para os quadrinhistas por aí, já terá valido todo o meu tempo de trabalho.
:: Bá 4:37 PM [+] ::

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:: 6.9.04 ::
A escolha é sua.

Todo dia você pode começar uma nova história. Quem vai estar nela, o que vai acontecer, como vai terminar, você não sabe. Sabe somente que pode começar. A escolha é sua.

Todo dia, você pode resolver abandonar uma história. Cansou no meio, ou mesmo depois do fim (pois algumas histórias continuam conosco mesmo depois de terminadas), ou ainda somente não sabe mais o que fazer com ela, não importa o quão interessante ela seja. A escolha é sua.

Todo dia, você pode resolver fazer histórias em quadrinhos. Pode resolver ser roteirista, ou desenhista, ou colorista, ou letrista, ou até mesmo tudo isso junto, ou mesmo apenas editor. Qual revista ou história ou personagens ou situação você criará ainda fica na escuridão de uma possibilidade futura, mais ainda assim a escolha agora é sua.

Todo dia, você tem preguiça de trabalhar de graça. Você só se lembra que o trabalho é uma moeda de troca para aquela outra moeda que você usa para pagar suas contas e comprar sua comida. O trabalho é, sem dúvida, uma moeda de troca, mas ele serve para que você possa dar algo que veio de você, que você fez e quer dizer ao mundo, e em troca você pode receber o contato de todas as pessoas que lerem seu trabalho, e todos os que te derem uma opinião positiva, e por que não negativa, sobre o seu desempenho estarão contribuindo para que você seja mais você, porque não dá pra ser ninguém sozinho.

Ninguém é uma ilha, somos todos determinados pelo mundo em que vivemos (na mesma medida em que determinamos o mundo pelo nosso próprio olhar). Sem as pessoas, não existiríamos, pois não haveria troca. Sem troca, não há ganho. Sem ganho, não há vida.

Voltemos ao principal.

A escolha é sua.

Se você quer fazer quadrinhos, faça. Se você não faz, a escolha é sua. Escolha é igual à culpa, igual à responsabilidade sobre os próprios atos, então você só tem a si mesmo para culpar se você não estiver fazendo HQ.
:: Fábio Moon 11:11 PM [+] ::

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:: 5.9.04 ::
Mais uma história

Mais ou menos no final do ano passado, queríamos fazer algumas páginas para mostrar para os editores americanos.

Sim, os editores de super-heróis.

Sim, nós ainda mandamos páginas para as grandes editoras.

O grande problema, na nossa opinião, em mandar páginas para esses editores sempre foi a falta de história que as páginas tinham. Páginas de "submission", como os americanos dizem, não são iguais a páginas de dentro de uma história, onde a história pode justificar uma cena muito estática ou vários quadrinhos repetidos. As páginas que você manda de teste tem que ser só ação, só movimento, ou seja, só mérito do desenhista. São praticamente páginas em que muita coisa acontece mas não há história, e a falta de história tirava o nosso tesão de desenhar. Todas as nossas "submissions" até então era feitas sem tesão nenhum.

Mais ou menos no final do ano passado, então, eu escrevi uma pequena história de super-heróis para o Bá desenhar. Nessa história, eu imaginei tudo o que pudesse ser desenhado como uma história de testes, para impresisonar os editores, mas ao mesmo tempo pensei no que seria divertido desenhar, no que seria legal de contar, como seria legal contar uma história de super-heróis e, claro, como deixar uma história dessas com a nossa cara. Nesse último aspecto, o Bá teve a idéia de gênio que salvou a história.

Agora, em setembro, nas bancas, na revista Wizard Brasil número 12, essas nossas páginas deixam de ser um mero teste, ou meros desenhos, e passam a ser o que elas sempre foram: uma história.

Não deixem de conferir.


:: Fábio Moon 7:51 PM [+] ::

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:: 2.9.04 ::
Saiu hoje na Folha de São Paulo. No jornal mesmo deve ter algumas imagens.

Internet decreta fim da "gaveta" de HQs.


ALEXANDRE MATIAS
free-lance para a Folha de S.Paulo

DIEGO ASSIS
da Folha de S.Paulo

Lá vem ele de novo. O levante dos quadrinhos alternativos em forma de novas publicações impressas é sazonal e consagra gerações inteiras, para voltar ao underground após seus principais representantes serem abduzidos pelo (pigarro) "sistema".

A pequena --e crucial-- diferença é que este fenômeno ocorre pela primeira vez depois que a internet realmente efetivou uma rede de contatos pessoais imprescindível na formação dessa nova versão da velha história.

São as revistas "Tarja Preta", "F.", "Mosh!" (cariocas), "Ragú" (de Recife), "Quase" (de Alegre, ES) e "10 Pãezinhos", dos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, de São Paulo. Com diferentes autores, as publicações consagram uma geração que, sem traumas, adicionou o mouse e o monitor na paleta de suas opções de estilo.

"A internet é importante como os campos de várzea para o futebol", teoriza Arnaldo Branco, um dos editores da revista "F." ao lado do gaúcho Allan Sieber (autor da tira "Vida de Estagiário", publicada no Folhateen) e de Leonardo Rodrigues (chargista do jornal carioca "Extra"). "Dá para "praticar" quadrinhos, mas só por diversão e para impressionar as minas do Orkut", ironiza o cartunista, que, como quase todo desenhista hoje, possui seu próprio blog, Mau Humor (www.gardenal.org/mauhumor).

"As pessoas que fazem quadrinhos não ficam mais tão escondidas", continua Sieber, dono do www.allansieber.com. "A internet acabou com o lance da "gaveta" cheia de quadrinhos."

"A internet faz com que cheguemos ao público interessado mais rápido, e a parte gráfica mais acessível estimula a criação dessas novas revistas, por menor que seja a tiragem. É a filosofia punk do "faça você mesmo" de volta", explica Renato Lima, editor da "Mosh!". "A tendência é que cada um ache seu segmento de mercado específico." completa Lima, cuja publicação lida com a interseção entre quadrinhos e rock'n'roll.

Tal fusão também é tema da nova revista dos irmãos Gabriel Moon e Fábio Bá, que dividem "Rock'n'Roll" com Bruno D'Angelo e Kako, velhos contemporâneos. Os gêmeos, autores de álbuns consagrados como "O Girassol e a Lua" e "Meu Coração, Não Sei Por Quê", que acaba de ser lançado nos EUA, também estão na web, seja com site (http://10paezinhos.sites.uol.com.br), blog (http://10loucos.blogspot.com) ou fotolog (http://fotolog.net/10paezinhos).

A internet também ajudou a levantar a auto-estima desses autores. "O Arnaldo só desenhava em guardanapo até começar seu blog, que ficou extremamente popular, e hoje eu acho ele o maior gênio da nossa geração", exalta-se Matias Maxx, editor da "Tarja Preta".

A solução foi transformar a apatia em reação. "Fazer uma revista dá um trabalho desgraçado, e a grana nunca é uma certeza. É bastante cansativo", enfatiza Sieber, mais pé no chão. "Mas sempre tem otários novos para se jogar nessa empreitada insana, tipo eu, Leo e Arnaldo. Não damos bola para os conselhos dos mais experientes e possivelmente acabaremos nos dando mal. Ou tomando gin tônica em Acapulco."

"Está rolando um sentimento geral de publicação independente, o pessoal está vendo que não vale a pena ficar esperando um grande contrato, o negócio é começar a editar sozinho", continua Maxx, cuja "Tarja Preta" se resume no slogan "Terrorismo Editorial", e cuja terceira edição sairá exatamente no próximo 11/9.

"Quando me perguntam se tem espaço para a HQ nacional gosto de lembrar de Marcelino Freire, escritor pernambucano radicado em SP, que diz que "o espaço se cria metendo o pé na porta'", resume João Lin, editor da "Ragú", criada com leis de incentivo.

Eles falam de suas ações paralelas para manter a revista funcionando: a "Tarja Preta" já foi tema de grife de roupas, com desenhos feitos à mão pelos próprios desenhistas da revista, estratégia adotada pela "Quase" no formato camiseta, além de festas. "Também houve a venda das nossas almas a Satã, o que ajudou um pouco", brincam os capixabas.

"Como a gente já conhece bem a realidade dos quadrinhos no Brasil e sabe que ela é casca grossa, resolvemos criar um projeto anti-falência, em que eu e o Renato pudéssemos bancar do próprio bolso o prejuízo durante uns dez números", explica Lobo, outro editor da "Mosh!". "O formato de bolso foi decisivo neste momento --além de facilitar a venda da revista em shows e festas."

Ele continua: "Para o projeto funcionar bem, a gente montou uma distribuição própria, que pudesse lidar com 5.000 exemplares. Hoje, temos mais de 200 pontos de venda em todo o Brasil."

"Acho que o quadrinho é uma excelente forma de se expressar", completa Maxx. "A própria ignorância das pessoas em achar que "quadrinho é coisa de criança" às vezes ajuda, porque, aí, quando uma pessoa dessas lê, o impacto é muito maior. Um dos lemas da revista contradiz a bula de remédios: "Tarja Preta - mantenha ao alcance das crianças"." É como se a HQ fosse a porta de entrada.

:: Bá 9:56 AM [+] ::

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:: 1.9.04 ::

Quando não estamos mais sozinhos.



Eu sempre dei muita importância à minha relação com o trabalho, pois eu já pensava em fazer Quadrinhos há muito tempo, nunca foi um esforço, algo desagradável, um fardo do qual eu não via a hora de me ver livre às 6 da tarde. Conheço muita gente que é assim, pra quem o trabalho é apenas uma tarefa, num lugar, durante um determinado espaço de tempo. Quando eles saem dali, não mais pensam no trabalho, nem o querem. O trabalho poderia explodir, desde que eles ganhem seu cheque, suas indenizações e uma carta de referência para o próximo trabalho. Este também não importará.

E não digo que estas pessoas não gostem do que elas fazem - mesmo existindo muita gente que não gosta do que faz - mas a sua relação com o trabalho é totalmente desapegada e depende exclusivamente daquele espaço físico. Mesmo gostando do que fazem, gostariam de não fazê-lo, se pudessem, pra estar naquela praia deserta, com os amigos, sem nenhuma preocupação, curtindo a vida.

Eu acho que curtir a vida é muito importante, indispensável, mas não garante que você esteja aproveitando a vida. Pra mim, eu só aproveito completamente a vida quando eu consigo direcionar tudo isso que eu ganho curtindo a vida para meu trabalho, produzindo algo, contando uma história.

Como Quadrinhistas, eu e o Fábio já temos a vantagem de trabalhar juntos, compartilhar idéias, mostrar o trabalho um para o outro, coisa rar que deve ser muito apreciada. No entanto, vivemos na nossa ilha no meio de um oceano de gente que não faz o que nós fazemos, que não gosta do que faz, que quer estar naquela praia deserta. Como eles, nunca conseguiremos fazer contato, nunca conseguiremos passar o sentimento de realização de terminar uma página, de passar arte-final naquele quadro, de olhar mil vezes quele desenho e sempre pensar "fui eu que fiz isso".

Mas, no meio deste vasto ocenao, existem outras ilhas, outros Quadrinhistas, outros apaixonados pelo que fazem. Seria possível fazer contato com eles? Eu teria que sair nadando até lá, sem ter certeza da minha recepeção, sem saber o que esperar, sabendo somente que, depois de tudo, teria que nadar de volta para minha ilha. Será que valhe o esforço? Sempre valhe, pois a troca de experiências será muito mais valiosa do que o tempo sozinho que eu passaria na minha ilha. Ilha esta que continuará lá, esperando por mim e, a cada nova volta, nova viagem, a mesma ilha terá mudado um pouco, pois eu também não serei mais aquele que partiu.

Mas o importante é que eu voltei pra minha ilha pra contar as histórias que eu vi mundo afora, enquanto curtia a vida.


:: Bá 12:19 PM [+] ::

...

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